O fenômeno Athletico

athletico0__abre

 

No dia 11 de dezembro do ano passado, o Club Athletico Paranaense lançou sua nova identidade visual com as inovações no escudo, nos uniformes, no mascote, no site e na grafia do nome do time. Com objetivo de retomar as raízes, mas com o olhar para o futuro, o presidente do Conselho Deliberativo, Mario Celso Petraglia, disse no lançamento da marca que a importância das mudanças vem da retomada da identidade do clube. O Athletico, ou El Paranaense, como é conhecido fora do Brasil, é um fenômeno de mudanças e práticas administrativas que realçam suas atuações dentro e fora do campo. Para o ano que começa, os desafios parecem ser encarados com confiança e perspectiva de protagonismo.

 

Mudança e repercussão

“Eu atribuo na nossa história dois momentos fundamentais, quando da fundação do clube em 26 de março de 1924 e 2011 quando nós aprovamos no conselho a auto-gestão, que possibilitou a construção do nosso estádio para a copa do mundo de 2014”. Com essas palavras, Petraglia, atual presidente do Conselho Deliberativo, iniciou sua fala no lançamento da nova identidade visual do time. Com o discurso enaltecendo a história do clube, o diretor não deixou de destacar a necessidade de repensar a identidade do Athletico.

Petraglia dividiu as fases de atuação e mudanças do clube a partir de 1995, ano que assumiu a primeira presidência. Caracterizou os anos de 1995 a 2004, como o momento da profissionalização do clube, onde as dificuldades foram colocadas no papel e, a partir disso, uma ampliação de ideias administrativas e de gestão foi alavancada. Em 2001, quando o Athletico foi campeão brasileiro da série A, Petraglia descreveu o momento como um dos grandes orgulhos desta primeira onda. Em 2004, a ampliação do CAT do Caju, o Centro Administrativo e Técnico Alfredo Gottardi, com mais 220.000m² de área total, possibilitou uma infraestrutura destinada para treinamento, academia e campo aberto com formação de atletas e capacitação dos profissionais do segmento do esporte.athletico1

De 2005 a 2014, Petraglia caracterizou como a fase de expansão do time, com os avanços de gestão, reforma da Arena da Baixada, sede da Copa do Mundo, para a partir de 2015 passar para a fase de protagonismo, onde todo o investimento administrativo de sistema, patrimônio e infraestrutura pode servir de base para a sequência de foco no futebol. Com essa apresentação, Petraglia levantou as motivações para as mudanças que interferiram no escudo, logo, uniforme e a grafia do time, um dia antes da grande final Sul-Americana, onde o Athletico foi campeão ao bater o Junior Barraquilla.

 

O que os torcedores pensam

A recepção da nova identidade foi logo recebida nas redes sociais com furor entre torcedores que se dividiam entre apoiadores e aqueles que não aprovaram as mudanças. Ao conversar com alguns torcedores e destacar comentários no Facebook do clube, as percepções variaram. “Sou torcedor fanático do CAP. O novo nome ficou legal, mas essa camisa com esse novo escudo não ficou bacana”, disse um internauta. E clama “Por favor, voltem com a camisa de antes ou criem outra, mas não mexam no escudo”. O choque à mudança de escudo chamou muita atenção nas redes sociais, mas logo foi amenizado com a vitória do time na Sul-Americana, um dia após o lançamento, no dia 12 de dezembro.

Jeniffer Ribeiro, torcedora de presença assídua nos jogos, comentou que considera Petraglia uma das pessoas mais inteligentes do futebol, entretanto, acredita que há uma intenção de gourmetizar o Athletico. “Estão tentando colocar a ideologia dos times europeus aqui, transformar o estádio em palco de teatro, onde todos assistem sentados”. Para Jeniffer e muitos torcedores brasileiros, a maneira de ver e sentir o futebol no país é diferente, onde torcer é quase estar junto dos jogadores em campo. Desse modo, não caberia a aplicação de ser apenas um espectador.

Vale ressaltar que a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) atualizou o regulamento de segurança para os jogos da Copa Libertadores de 2019 a ampliar de 18 para 21 itens proibidos dentro dos estádios. Entre as principais mudanças estão a proibição dos “bandeirões” e a abertura de venda de ingressos pela internet com o objetivo de evitar falsificações a partir de 2021. Ainda, entre as principais mudanças, a venda de assentos numerados será uma tentativa de transformação na maneira de assistir os jogos, alertando o fim das arquibancadas para torcedores que assistem os jogos em pé. O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, em nota assinada, marcou posição contrária às medidas, “o Time do Povo não pode aceitar o ônus imposto pelas medidas aos reais do espetáculo, os torcedores”.athletico2

Para Gabriel Brisola Stori, athleticano, “toda a mudança no Athletico é importante para o futebol brasileiro em si, que está em constante renovação. O Athletico, como um time pioneiro em muitas frentes, tomou essa iniciativa para se promover ainda mais em nível nacional e internacional. Creio que toda essa mudança é muito bem vista porque pode agregar muito para a marca do Athletico, porém, o escudo antigo é muito mais bonito e tem todo o charme de um time raiz. Espero que volte a ser usado”.

Na história do time, o Athletico passou por várias transformações visuais. Até a década de 1940, o escudo permaneceu o mesmo e utilizava letras góticas entrelaçadas. O escudo com listras horizontais permaneceu até 1988 quando elas passaram a ser verticais. Em 1997, ocorreu a alteração de escudo que permaneceu até 2018 e que mantinha o CAP original, alterado na nova mudança. Petraglia, ao citar a Giovanni Vannuchi (Empresa OZ), responsável pela nova identidade do time, diz que fez-se mágica com a marca e o presidente do Conselho Administrativo, Luiz Sallim Emed, destacou que o clube está em nova fase, “nós temos a responsabilidade de entregar o Athletico melhor que recebemos” declarou à Banda B. Agora, modernizado, o Club passa pelo crivo das recepções acaloradas e sérias dos torcedores que aos poucos poderão se acostumar com o visual do time.

 

Athletico protagonista

Medidas administrativas e de gestão organizaram e prepararam o clube para que se tornasse referência em infraestrutura, não só da Arena, mas com a eficiência do conhecido CT do Caju. Petraglia espera que as mudanças e avanços na economia do país aconteçam e reflitam no futebol. A esperança é que as leis do futebol sejam modernizadas, como é o caso da Lei Pelé (Lei 9.615 ou lei do passe livre, idealizada quando Pelé era Ministro do Esporte e presidente do Conselho do INDESP) e que as pessoas tenham maiores condições de irem assistir aos jogos de seus times nos estádios.athletico3

Em entrevista ao Lance!, Petraglia reafirmou sua posição contra o monopólio da Rede Globo em transmitir todos os jogos realizados no Brasil, para ele isso nem sempre é da vontade dos clubes. Ainda, criticou a CBF que privilegia a Seleção e não auxilia na internacionalização dos clubes brasileiros. As posições de Petraglia muitas vezes levantam assuntos polêmicos, mas necessários às definições e inovações do futebol. Visões de iniciativa administrativa que refletem no futebol do time que desde 2011 disputa a série A, carrega o título de 2001 de campeão brasileiro e 2018 ao ganhar seu primeiro título internacional na Sul-Americana.

Agora, com foco no protagonismo do futebol, Petraglia que lidera grandes negociações de jogadores, a destacar Lucas que foi negociado pelo Athletico em 2000 e rendeu à época R$ 13,3 milhões, Fernandinho em 2007, com renda de R$ 35 milhões, Jadson em 2005, com R$ 32,6 milhões, Hernani em 2016, com R$ 28,4 milhões, Otávio em 2017, com R$ 27 milhões, Kléberson com R$ 25,6 milhões em 2003 e agora Pablo que rendeu ao Athletico R$ 26,6 milhões em negociação, tem objetivos junto com toda a equipe em colher os frutos da grande administração. Os seis campeonatos a serem disputados em 2019 – Campeonato Paranaense, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Libertadores da América, Recopa Sul-Americana e Copa Suruga – serão os campos dessa colheita.

Leia mais

Deixe uma resposta