Igual a Jânio, nunca mais

Discute-se muito se o governo brasileiro se saiu bem ou mal no caso Battisti face à extradição direta da Bolívia, onde foi capturado, para a Itália. O fato é que a revisão dos atos de Lula e do seu ministro da Justiça, Tarso Genro, estava consolidada no Executivo e no Judiciário.

A suposta independência do petismo ficou abalada com o fato de um identificado à esquerda como Evo Morales ter aderido à entrega do fugitivo da justiça brasileira. A identidade latina ficou com mais jeito de ladina. É verdade que tanto Temer quanto Bolsonaro defendiam a extradição, já amparada pelo Judiciário lá atrás, nos primórdios da demanda.

Testa-se por aí o protagonismo brasileiro, ora encarnado pelo alinhamento aos EUA por parte do nosso presidente ao ponto de botar em risco interesses com o mundo árabe com a adesão à tese ianque da embaixada de Israel.

É claro que a ruptura com a política externa, centrada no princípio da não intervenção e da autodeterminação, foi uma espécie de corte epistemológico no consenso, contra o qual Jair Bolsonaro se insurge, respaldado por uma nova doutrina do Itamarati.

Ninguém na história brasileira alcançará, em termos de provocação externa, o feito de Jânio Quadros em 1961, em pleno fermento da Guerra Fria, ao condecorar um dos líderes da revolução cubana, Che Guevara. Em matéria de protagonismo internacional, pode-se imaginar de tudo, mas nada que suplante o feito. Jânio havia sido eleito contra a esquerda mal encenada pelo generalíssimo Teixeira Lott, mas essa intervenção agradava as chamadas forças progressistas pela simpatia enorme em torno dos legendários combatentes da Sierra Maestra.

As iniciativas de Lula em defesa do terrorista Cesare Battisti e de Bolsonaro em alinhar-se aos ianques perdem de longe, em ousadia, do homem que iria, pouco depois, renunciar.

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