A rainha Efigênia Rolim

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“Pelas ruas isoladas/ ninguém me conhecia/ sentei lá na calçada/ e declamei poesia”

O verso é de Efigênia Rolim e traduz bem o seu início como artista. Nascida em Abre Campo (MG), em 1931, mudou-se na década de 1960 para Tamarana (PR), onde trabalhou no campo. Uma jornada difícil, em meio à pobreza e suas circunstâncias. Em 1971, Efigênia chegou a Curitiba.

Um dia aconteceu algo que mudou sua vida. Ela estava na Rua XV quando houve uma forte ventania que fez voar papéis de bala aos seus pés. Naquele momento, a artista teve um “estalo” e passou a produzir obras com papel de bala e material reciclável. Era início da década de 1990 e Efigênia estava com mais de 60 anos. Logo ganhou notoriedade e a alcunha de “Rainha do Papel de Bala”.

Não parou mais de criar e continua na ativa, aos 88 anos. Valorizada pelos parceiros e pelas pessoas que admiram seu trabalho e sua legitimidade, a artista se destaca pela seriedade com que encara a arte, ao mesmo tempo que brinca com ela mesma e com os outros, ao dar cambalhotas e saltos no ar em suas aparições públicas. Sua maneira de vestir-se também chama a atenção: ela mesma faz suas roupas e figurinos com material reciclável, usa cores vibrantes e por onde passa leva alegria.

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Participou de inúmeras exposições individuais e coletivas. Alguns trabalhos seus estão em cartaz na exposição Luz=Matéria, no Museu Oscar Niemeyer, que reúne obras dos artistas do acervo.

Como poeta, Efigênia editou alguns de seus poemas em livros artesanais e foram realizados dois documentários sobre ela: Rainha do Papel de Bala (1998) e O Filme da Rainha (2005). Como atriz, participou dos curtas-metragens O Traste e Logo será Noite, ambos de 2001.

Em 2007, o Ministério da Cultura concedeu a ela o Prêmio de Culturas Populares e, em 2008, condecorou-a com a Comenda da Ordem do Mérito Cultural. Em 2012 foi lançado o livro A Viagem de Efigênia Rolim nas Asas do Peixe Voador, por Dinah Ribas Pinheiro.

Em 2018, a artista ganhou o prêmio Top View 2018 – Personalidade das Artes. Neste mesmo ano, mudou-se para Itapoá, Santa Catarina. Segue com a mesma vibração e força ‒ e arremata:

“Eu não sei para onde vou

Nem de onde vim, mas se Deus me convidou

Vou ficar até o fim”

 

Bravo, Efigênia!

 

Crédito foto: Fernando Dias

 

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