Editorial Ed. 209

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Este é o país das gambiarras, da improvisação, da irresponsabilidade e da impunidade. No Brasil, uma das regras é burlar a lei para tirar algum proveito. Como poderia ser diferente quando seus governantes se especializaram em enriquecer com a corrupção?
Isso ajuda a explicar a série de tragédias que marca o início deste 2019 tenebroso. A irresponsabilidade ao resolver problemas com soluções paliativas e improvisos, o desrespeito às regras e às leis, a incúria dos que procuram baixar custos aumentando riscos absurdos, a impunidade.
Isso provocou a morte de centenas de pessoas na lama em Brumadinho, nas chuvas no Rio de Janeiro, no fogo do CT do Flamengo e até no acidente que matou o jornalista Ricardo Boechat, na queda de um helicóptero não autorizado para transportar passageiros. Não por acaso, a procuradora-geral, Raquel Dodge, afirmou que essas tragédias eram “evitáveis.”
Dez jovens foram mortos no alojamento improvisado há uma década, de material altamente inflamável, no “Ninho do Urubu”, do Flamengo. A Vale soube do risco dias antes, mas o rompimento da barragem em Brumadinho já superou 170 mortos e ainda há 182 desaparecidos. As chuvas no Rio e em São Paulo provocam destruição e mortes há meio século. A “solução” todos os anos é paliativa e emergencial. Ou seja, apenas enganação. Apenas o drible na lei, num país em que a lei depende de um Judiciário sob permanente suspeição.
Pesquisa feita pelo Senado mostra que para 29% dos brasileiros a prioridade nos próximos anos deve ser a geração de empregos. Em seguida, querem melhorias na saúde (18%), na educação (17%) e também no combate à corrupção (16%). As informações são da Coluna do Estadão.
A fiscalização do Executivo foi apontada por 84% dos entrevistados como função parlamentar mais importante. É seguida de “atender aos pedidos dos eleitores” e “visitar os Estados”. No geral, 71% acham o Congresso importante para a democracia.
O clima é esse. Não se faz política hoje em dia sem repercussões policiais e judiciais. Temos um ex-presidente da República preso, ex-governador correndo o risco de acabar na mesma situação, e com ele toda a sua caterva. Não escapa ninguém. O sentimento da população é de que ficou tudo contaminado pela corrupção. Não há santos sobre os altares. As grandes figuras referenciais desabaram sob a investigação e confirmam que não deve sobrar ninguém ou muito pouco depois da Lava Jato.
Vejam só, quando a gente pensa que tudo já foi levantado, surgem novas denúncias. A Polícia Federal prendeu o presidente da Confederação das Indústrias, que andou metendo a mão no jarro. Com ele, outros dirigentes do sistema S. Todos são acusados de crimes contra a administração pública, fraudes licitatórias, associação criminosa e lavagem de ativos. A ação investiga fraudes em contratos entre as empresas do Sistema S com o Ministério do Turismo.
E, para completar, a polícia descobriu um bunker do operador do PSDB onde ele guardava R$ 100 milhões. É de amargar.

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