Mil Holtz – Quem é essa mulher?

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Rogéria Holtz não é uma, não é duas, não é três. Rogéria é mil, mil mulheres, mil facetas, mil possibilidades. Duvida?

Eu poderia te convencer a tagarelar aqui momentos bem interessantes de sua vida. Mas achei melhor pinçar uma fala dela mesma para você ter uma ideia do que se trata:

adriana_elizabeth1“Meu pai queria que eu fosse dentista ou analista de sistemas. Acabei contrariando-o e terminei com o diploma de designer. Cheguei a trabalhar como tal e me lembro perfeitamente de uma entrevista amistosa no meu segundo emprego como desenhista quando me perguntaram o que eu fazia: bom, eu preferia Arquitetura, prestei vestibular pra Odonto, entrei em Matemática, cursei Análise de Sistemas, faço Desenho Industrial mas o que quero é Música”.

Viu só? Sei que não se trata de entusiasmos juvenis porque Rogéria vai se desdobrando em camadas e se mostrando para as possibilidades. O melhor de tudo é que faz isso com bom humor, com sorrisos, com facilidades.

Para a nossa sorte, ela ganhou um violão quando tinha sete anos. E esse foi o momento decisivo de sua vida – aquele sopro mais forte que poucos têm a sorte de reconhecer e menos ainda coragem de seguir.

Rogéria reconheceu e seguiu e pouco importa as mil coisas que fez em paralelo para sustentar que o vozeirão seguisse o caminho. Várias delas ainda estão por aí, correndo soltas, como, por exemplo, a companhia que faz todas as tardes como apresentadora da rádio Educativa.

adriana_frida1Mas escrever a biografia de Rogéria não cabe aqui, porque tem coisa mais urgente no ar. Depois de tanta estrada ela resolveu, finalmente, brindar o público com DVD. Lançou “Farrear”, um jeito de tê-la em casa, quase ao vivo, para embalar momentos de várias ordens.

A concepção de “Farrear” gira em torno dessa palavra, que para nossa geração já ultrapassou um pula-pula louco de carnaval ou uma bebedeira qualquer, para chegar ao sossego da alma, que pode tanto estar na afirmação doida de uma princesa do Daomé como no acaso de passar a noite caçando sapo e contando caso…

Rogéria farreou em seu DVD porque teve a feliz iniciativa de regravar músicas que a acompanharam durante toda a sua jornada. É uma espécie de melhores momentos vividos até aqui, este ponto em que parou, suspirou, olhou para trás e reconheceu quanta coisa bacana já fez nos palcos e nos discos.

adriana_gueixa1E tem mais! Ela, que apesar da energia muito rock’n’roll tem a musicalidade do jazz, escolheu a dedo os músicos para acompanhá-la nessa aventura. Não dá para citar todos aqui (quando você comprar o DVD, e você tem que fazer isso!, vai reconhecer cada um), porque são muitos e cada um deles representa uma página importantíssima na música instrumental do país. Mas posso dizer que Glauco Sölter e Endrigo Bettega estão lá; Jeff Sabbag e Vina Lacerda também; assim como Helinho Brandão e Mário Conde. E tem mais, bem mais. Tem também Estrela Leminski, Fábio Cardoso, Murillo Da Rós, Carlos Careqa e por aí vai…

“Farrear” foi gravado ao vivo no Sesc Paço da Liberdade e no Vox Bar, lugares que combinam com o clima geral do trabalho, mas tem um chorinho de estúdio. E é aqui que você vai concordar comigo e afirmar que Rogéria é muitas, é mil.

adriana_madreteresacalcuta1A danada fez um clipe da música “Milágrimas”, composição de Itamar Assumpção e Alice Ruiz. E eu digo, meu amigo, minha amiga, de casa e do auditório: que clipe! Que lindo! Que produção! Faz tempo que não acompanho o mercado de troféus, mas se existir alguma premiação na categoria melhor clipe, esse com certeza já ganhou. Como talvez você demore uns dias para providenciar o DVD, corra lá no YouTube e procure por essa belezinha.

Embora o espaço da coluna esteja no sufoco, precisando terminar a edição deste mês, acho que vale espremer mais umas palavrinhas para dizer, sem querer fazer trocadilho infame, que se a cada mil lágrimas sai um milagre, como Rogéria cantou, a pena de ouvir tanta coisa ruim por aí foi recompensada. A cada mil, nasce uma Rogéria Holtz – e ela vale por mil!

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Obrigada, Rogéria!

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