Pau-de-arara

Tempo de lamber as feridas
recolher as garras e escolher as palavras
que não serão ditas.

Atravessar o deserto de signos
Nu. Músculos flácidos
Valores esfarrapados.
Impossível bloquear
O dia inaugural do pesadelo
que resiste como resiste o vermelho
das inscrições nos muros,
ou a lembrança dos pássaros mortos.

Pulsos presos aos tornozelos,
barra de ferro entre os braços
e as dobras do joelho.
O cu à mostra
voz escura do algoz da hora
eletrodos nas têmporas,
no saco, no pau, no ânus.
Ânus? No cu.
a cabeça pendida para trás,

olhar inverso
o mundo ao contrário

mark Campana capa ok

 

 

O poema ‘Pau-de-arara’ está no novo livro de Fábio Campana, As coisas simples, já à venda (30 reais) na Livraria do Chain, no Museu Guido Viaro e também no site da Amazon em versão e-book.

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