Álbum de nossas vidas

 

O volume de pessoas no lançamento de A cor do presente, o mais recente livro de contos de Marcio Renato dos Santos, chamou a atenção. Mas há outro detalhe que merece registro. No sábado, 9 de março, escritores, poetas, jornalistas, editores e produtores de texto, leitores e leitoras de fato foram ao Café Tiramisù, anexo ao Museu Guido Viaro, no centro de Curitiba, em busca de um autógrafo e de um exemplar da oitava obra de narrativas do contista que se reinventa e ao mesmo tempo aprimora o seu universo literário particular a cada nova produção.

Dos novíssimos João Lucas Dusi e Lucas Silveira de Lavor aos veteranos Otavio Duarte e Paulo Venturelli, também estiveram no lançamento de A cor do presente nomes da cena literária contemporânea, como Otto Leopoldo Winck, Carlos Machado, Jandira Zanchi, Homero Gomes, Guido Viaro, Andrey Luna Giron, Roberto Nicolato, Marcia Pfleger e Benedito Costa.

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A escritora e professora aposentada da Universidade Estadual de Ponta Grossa Luísa Cristina dos Santos Fontes veio dos Campos Gerais especialmente para o lançamento. Parentes do escritor, como o pai, Luiz, a mãe, Júlia, e o irmão, Guilherme, se deslocaram de Araucária, na região metropolitana, até o Café Tiramisù. Outro irmão de Marcio, Rafael, também esteve lá, acompanhado do filho Lucas. O estudante de medicina Odenir Nadalin Júnior, primo do prosador, foi outro convidado a comparecer ao evento que inaugurou o calendário literário de Curitiba e do Paraná em 2019.

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Toda fauna cultural

Mas nem só de escritores e parentes se fez o evento. Havia músicos, como Franco das Camélias, Sandro Malk e Nicole Correia. Jaime Lechinski, Marden Machado, Valdir Cruz, Leticia Lopes Ferreira, Jonatan Silva, Daniel Tozzi, Anderson de Souza, Felipe Kryminice e Camila Castro foram alguns dos jornalistas que cumprimentaram o contista curitibano. O editor Salvio Nienkotter sondou Marcio Renato dos Santos a respeito de uma possível publicação pela Kotter. Já a bibliotecária Alice Ywatusgu parabenizou o escritor, que trabalhou com ela durante sete anos na Biblioteca Pública do Paraná.

Simon Taylor, autor do desenho da capa de A cor do presente, fez questão de participar do lançamento – ele e Marcio são amigos há 30 anos. A esposa do escritor, Fabiola, e o filho, Vitor, também permaneceram no evento durante as seis horas em que Marcio Renato dos Santos não escreveu, mas, talvez, além do bate-papo com convidados, tenha elaborado algum enredo, possibilidades múltiplas para os seus contos inventivos que dialogam com a tradição e o presente e ainda recriam nossas vidas, toda existência.

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Breve comentário sobre arte & harmonização

 

Vicente Ferreira

 

Harmonizar, por exemplo, vinho com comida não é exatamente algo fácil de colocar em prática. Cabernet Sauvignon funciona com carnes vermelhas e Sangiovese é indicado para pizzas e molho de tomate. Já o Pinot Noir acompanha peixes e vegetais.

Na ficção também há combinações que funcionam e, para essa química acontecer, é fundamental que o escritor tenha repertório, algo que Marcio Renato dos Santos possui.

Os contos de A cor do presente sinalizam que o prosador curitibano dialoga com o legado de outros contistas, como Machado de Assis, Julio Ramón Ribeyro, Tchekhov, Lucia Berlin, Lima Barreto, Dalton Trevisan, Clarice Lispector, Maupassant e Fábio Campana.

Mas a criação artística de Marcio Renato dos Santos também estabelece pontos de contato, por exemplo, com outras linguagens, entre as quais as produções de Federico Fellini, Bergman, Caetano Veloso, Jorge Mautner, Gal Costa, Godard, Jimi Hendrix, Coltrane, Renato Russo, entre tantos, tantas manifestações culturais.

A cor do presente (ou seria Acordo presente?) trata de questões da existência, como melancolia e solidão, e harmoniza linguagem e enredo com rara harmonia, da mesma forma que alguns, poucos, conseguem harmonizar Cabernet Sauvignon, Sangiovese, Pinot Noir, Malbec, Merlot e outras maravilhas com carne, vegetais, doces e a vida.

A cor do presente está aí. Estão servidos?

 

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