Nota de Falecimento

Com o fechamento do Instituto de Medicina do Paraná, no dia 1.º de março passado, a título de “reforma”, perdem a cidade de Curitiba e seus cidadãos uma instituição de 87 anos de maravilhosos serviços médicos prestados.

Nascido em 1932, por sonho do Dr. Erasto Gaertner, que dispensa apresentações, compôs rapidamente seu corpo clínico com o que havia de expoentes na área médica da cidade: Dante Luiz Júnior, Antero Sadi Pizzatto, Ernani Simas Alves, Hamilton Calderari Leal e muitos outros da mesma linhagem.

Com esse mesmo grupo e sob sua liderança, Dr. Erasto criou, em 1947, a Liga de Combate ao Câncer. O Instituto de Medicina é quem dava guarida aos pacientes sem condições financeiras que necessitavam de tratamento oncológico. Ali se instalou o primeiro aparelho de radioterapia do Estado do Paraná, comandado por muitos anos pelo Dr. Sadi Pizzatto. Um marco na medicina da época.

Muito voltado para a área cirúrgica, nomes como Leônidas Mocellin, Sergio Brenner, Ali Zraik, José Pagani, Mohty Domit, Kemal Domit, José Francisco Schiavon, dentre tantos outros, por ali passaram longos anos.

Cheguei ao Instituto, como é carinhosamente chamado, em 1987 como sexto anista e nunca mais saí. Fiz minha residência em cirurgia geral (sou da primeira turma), chefiada pelo Dr. Sergio Brenner. Havia também, à época, residência em pediatria.

Nós, os residentes, éramos quem tocava o plantão do hospital. Foram 33 anos ininterruptos de plantão. Minha vida médica sempre esteve ligada ao Instituto. Foram anos maravilhosos de convívio com um corpo clínico de alta qualidade, bem como enfermagem e funcionários. Hospital pequeno de apenas três andares, éramos uma família.

Tive o privilégio de dirigir o hospital por duas vezes. Uma na direção administrativa e mais recentemente na direção clínica. Chefiei por muito tempo o pronto atendimento; conto isso para mostrar o quanto o Instituto representou em minha vida e o sentimento que ora trago no peito.

Muito bem, o tempo passou, as administrações foram mudando e infelizmente culminou no seu fechamento.  Muitos erros foram se somando. Incompetência, prepotência, azar? Cada que um vista a sua carapuça e dê a sua melhor desculpa, mas fato real e imutavelmente lamentável, neste momento, é que fechou.

Estamos todos de luto: médicos, funcionários, fornecedores, pacientes de várias gerações, a cidade, os cidadãos, a medicina…

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