O mestre Antonio Arney

Antonio Arney, 93 anos, aprendeu vendo o pai, Joaquim, marceneiro e carpinteiro, trabalhar. O pai também pintava e procurava pesquisar dentro da fotografia, e mesmo no trabalho em madeira, alguma coisa nova. “Naquele tempo, o trabalho de marcenaria era muito perfeito, era artesanato puro feito à mão. Tínhamos até pouco tempo atrás a mobília em casa, por exemplo, camas, armários, ainda feito por ele, tudo torneado à mão. Eu procuro sempre estudar as coisas, o equilíbrio das coisas, composições, montagens junto à madeira”, lembra o artista.

Arney desenvolveu desde criança, portanto, a aptidão e o interesse pela criação. Suas obras são feitas a partir de materiais como madeira, parafuso, sucata, líquidos que resultassem em cor, entre outros produtos recicláveis. Em uma entrevista concedida a Adalice Araújo para o Diário do Paraná, em 1971, Arney comenta: “A partir de 1966, comecei a empregar material comum como parafusos, papel-jornal que todo mundo considera inferior ou mesmo inútil, para dar-lhes destaque tornando-os expressivos. Seria como pegar um mendigo e vesti-lo com roupagens de um rei. Com isto quero dizer mesmo a mais abjeta partícula é maravilhosa, desde que saibamos valorizá-la, carrega em si um mundo de evocações”.

Adolfo Montejo Navas e Eliane Prolik, curadores de sua mais recente exposição Estruturas e Valores, que esteve no Museu Oscar Niemeyer até março deste ano, analisam sua obra: “Dentro do espírito construtivo brasileiro, tão cultuado como importante, a obra de Antonio Arney representa rara exceção estética para o panorama da arte. Pelo momento histórico do qual faz parte e pela geografia de onde se projeta, essa lateralidade temporal e local, com respeito a uma língua franca artística, significa uma poética, seiva nova, cosmovisão e incorporação de elementos heterodoxos, não catalogados até então nesse repertório visual”.

Arney nasceu em Piraquara (PR), em 1926. Artista autodidata, sua longa trajetória profissional começa em Curitiba, desde o final dos anos 1950, com a participação no Círculo de Artes Plásticas. Em seu currículo constam inúmeros prêmios, sendo oito premiações no Salão Paranaense. Participou de importantes mostras nacionais e internacionais como: I e II Panorama de Arte Atual Brasileira – MAM/ SP (1969 e 1970), XI Bienal Internacional de São Paulo (1971), Brasil Plástica 72 e I e III Salão Nacional de Artes Plásticas (1978 e 1980), no Rio de Janeiro; as individuais Estações, no MASAC (2015), Outra coisa, no MuSA-UFPR (2016) e O poeta e o marceneiro, na Galeria Boiler (2016). Participa da mostra Luz e Matéria com obras do acervo do MON, em Curitiba (2018). Em março deste ano foi lançado o livro Comparações de Valores sobre a sua produção.

 

Foto: Gilson Camargo

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