Passado revisitado, DNA e história

Quando a história pesa nos ombros, não há como escapar, é necessário voltar o olhar ao chamado e trazer à tona DNA e acontecimentos. O chamado foi de Visconde de Souto aos jornalistas Francisco Souto Neto e Lúcia Helena Souto Martini, que escreveram a biografia do trisavô com mais de 500 páginas de buscas imparciais e de ações deste curioso homem de olhos congelados na capa e nas linhas que seguem. O livro Visconde de Souto: ascensão e “quebra” no Rio de Janeiro Imperial (2017), da Editora Prismas, foi dividido em duas partes que desenvolvem toda a amplitude do que foi a vida do biografado, suas raízes, infância no Porto, chegada ao Rio de Janeiro, namoro, casamento até a criação da Casa Souto que, de acordo com os autores do livro, foi a primeira casa bancária do país.

Os poetas Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, mesmo de períodos distintos ao de Souto, também entraram em contato com sua memória ao celebrarem as experiências além dos bancos do biografado. No livro Rio de Janeiro em prosa e verso (1965), escreveram sobre o Jardim Zoológico do Souto, ao que chamaram de uma “fascinante coleção de animais raros”. Bandeira e Andrade escreveram: “em meio a um grande e bem tratado parque, aí organizou um jardim zoológico, onde reuniu, à custa de muito trabalho e grandes despesas, muitas e variadas espécies dos mais interessantes animais do globo. Até um elefante existiu no jardim zoológico do Souto”.

Ainda que se recorra aos dados, referências histórias específicas que citam Visconde de Souto, é uma versão da história do Brasil que se conta a partir de uma busca micro-histórica, quando se elabora uma perspectiva de que foi tudo em um só lugar, período e olhar. Como muitos homens do século do Império, a importância do início, da ascensão e a tristeza da queda, do declínio consumado, mas não deixado de lado por jornalistas atentos em dizer, com a busca pela imparcialidade e por um olhar geral sobre subjetividades e objetividades, o plano impossível de quem se põe a escrever história sem se ver no papel. Investigação, explanação, um passado revisitado.

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