Fernando Velloso, um desbravador

O nome e a obra de Fernando Velloso não me eram desconhecidos. Amigos em comum muito me falavam dele. Da sua afabilidade, da sua elegância, da sua criatividade, do seu desbravamento. Foi por intermédio do querido amigo Fernando Bini que o conheci. Conversamos um bocado e pude sentir o ser humano que é.

Na companhia do Bini fui conhecer seu ateliê e fotografá-lo. Assim que entramos me lembrei das duas últimas estrofes do poema de Manuel Bandeira, “Consoada”:

A mesa posta
Com cada coisa em seu lugar.

Na contramão de muitos ateliês, o bom gosto, a ordem e a limpeza imperam. É lugar de criação, trabalho, descanso, leituras, meditação. Obras e livros. Cores e música. Para o artista, “o gosto pelas artes vem do berço, é uma vocação. Desde pequeno sempre estive envolvido com a pintura e o desenho.”

Seu desenvolvimento como pintor vem da sua inquietação e da sua procura pelo novo. Pela inovação, romper com um passado que uma vez já foi o novo mas que ele, como artista sensível, procura novos caminhos. Confessa seu débito para com o mestre Guido Viaro.

Formou-se em advocacia, cursou a Escola de Belas Artes em sua primeira turma, fundou o Museu de Arte Contemporânea do Paraná e foi seu diretor. Incentivador cultural, foi igualmente crítico de arte.

Do alto de seus 88 anos, junto com sua mulher Maria Alice, espalha bom humor, criatividade e simpatia entre os seus amigos. Tive muito prazer em conhecê-lo e espero conviver muito tempo com este artista que honra, com sua obra, não só o Paraná como o País.

Devo ao belo livro “Fernando Velloso”, com o qual fui presenteado pelo novo amigo, com texto do Bini e comentários de outros artistas e intelectuais, as informações mais detalhadas sobre a sua vida e obra.

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