Não espere milagres

“O Brasil me parece uma bomba-relógio feita às pressas e de mecanismo defeituoso. Dessas que nunca explodem”. Ouvi isso do Joel Silveira há anos, mas permanece uma observação muito atual, que retorna à minha cabeça toda vez que leio sobre a crise brasileira e seus últimos capítulos depois da posse de Jair Bolsonaro. A crise é mais grave que todas as anteriores. Economistas consultados pelo Banco Central (BC) voltaram a rever para baixo a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2019. Segundo as estimativas, a expectativa é de que o PIB feche o ano em 1,49%. Foi a décima queda consecutiva na previsão de crescimento, que mede o desenvolvimento da economia do país. O que significa que continuaremos a amargar a crise por mais tempo do que esperávamos.

O corte da previsão de crescimento foi de 0,21%. No relatório anterior, a projeção dos economistas para o indicador ao final deste ano era de 1,70%. Em 2019, os economistas ouvidos pelo BC já chegaram a prever o PIB em 2,57%, na segunda semana do governo Jair Bolsonaro. No fim do ano passado, a expectativa para o crescimento da economia em 2019 era de 2,55%. A previsão para o PIB de 2020, que caiu por cinco semanas seguidas, agora se encontra estável, em 2,50%. O PIB soma todos os produtos e serviços produzidos no Brasil em um ano para medir o valor da economia.

 

Além da queda no PIB, os economistas consultados pelo BC subiram a previsão da inflação. De acordo com as previsões, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar o ano em 4,04%, previsão que era de 4,01% na semana passada. O indicador segue abaixo da meta de inflação estipulada pelo governo, de 4,25%. O índice está dentro da margem de tolerância prevista pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), entre 2,75% e 5,75%, 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

As projeções para os juros e o câmbio permaneceram estáveis. A Selic, taxa básica de juros da economia, foi mantida em 6,5% para o fim deste ano, o menor patamar da história. Desde março do ano passado, a Selic está em 6,5%. O dólar comercial também ficou estável e deve terminar o ano vendido a 3,75 reais.

Todos os dados sobre a economia são ruins para quem tinha esperanças de entrar em nova fase de prosperidade. A crise econômica agrava a crise social e mantém a péssima imagem que a população tem do Brasil. Vou tentar resumir a opereta brasileira em seus traços mais fortes informados pelas últimas pesquisas de opinião. Dramáticos. Vamos lá: corrupção, bandalheira, escândalos em série. Caos na política. E deterioração progressiva dos serviços públicos.

O sistema de saúde faliu. Temos epidemias de dengue, zika vírus, chicungunha. Assustador o número de crianças que nascem microcéfalas. O sistema de educação deteriorou tanto que há educadores que aconselham pais a pensar em educação doméstica para evitar as deformações da pública. Este é o país do carnaval, que um dia foi do futebol, e que agora é apenas a choldra que entristece e desanima – o que restou de anos de incúria e roubalheira.

 

Que país é este?

A pergunta, feita por Machado de Assis, Francelino Pereira e pela banda Legião Urbana, volta à cabeça dos brasileiros. Mais uma vez frustra-se a esperança de soluções rápidas para problemas crônicos, como prometiam os discursos de palanque eleitoral do ano passado. Ingenuidade que se traduz agora em crescente frustração. A economia parou, as decisões nessa área e nas demais patinam no esforço de Jair Bolsonaro e da trupe de Paulo Guedes de fazer a reforma da Previdência.

O desemprego cresceu a níveis nunca antes imaginados. São 13,2 milhões de brasileiros com carteira de trabalho assinada que estão no olho da rua. A criminalidade explodiu todas as previsões. A reforma da segurança pública aguarda a vez. Só entrará em discussão depois da aprovação da reforma da Previdência. A vida no Brasil de Bolsonaro: um governo que faz oposição a si mesmo como estratégia para se manter no poder, sequestra o debate nacional, transforma um país inteiro em refém e estimula a matança dos mais frágeis, diz Eliane Brum.

 

Foi ela quem melhor definiu o governo de Jair Bolsonaro, ao afirmar que a trupe que assumiu o governo sob o comando do ex-capitão fez do Brasil o principal laboratório de uma experiência cujas consequências podem ser mais destruidoras do que mesmo os mais críticos previam. Não há precedentes históricos para a operação de poder de Jair Bolsonaro (PSL). Ao inventar a antipresidência, Bolsonaro forjou também um governo que simula a sua própria oposição. Ao fazer a sua própria oposição, neutraliza a oposição de fato. Ao lançar declarações polêmicas para o público, o governo também domina a pauta do debate nacional, bloqueando qualquer possibilidade de debate real. O bolsonarismo ocupa todos os papéis, inclusive o de simular oposição e crítica, destruindo a política e interditando a democracia. Ao ditar o ritmo e o conteúdo dos dias, converteu um país inteiro em refém.

A violência de agentes das forças de segurança do Estado nos primeiros 100 dias do ano, como a execução de 11 suspeitos em Guararema (SP), pela Polícia Militar, e os 80 tiros disparados contra o carro de uma família por militares no Rio de Janeiro, pode apontar a ampliação do que já era evidente no Brasil: a licença para matar. Mais frágeis entre os frágeis, os ataques a moradores de rua podem demonstrar uma sociedade adoecida pelo ódio: em apenas três meses e 10 dias, pelo menos oito mendigos foram queimados vivos no Brasil. Bolsonaro não puxou o gatilho nem ateou fogo, mas é legítimo afirmar que um governo que estimula a guerra entre brasileiros, elogia policiais que matam suspeitos e promove o armamento da população tem responsabilidade sobre a violência.

 

Era das incertezas

“No Brasil, até o passado é incerto”, disse Pedro Malan. A repetição exaustiva de mentiras e dissimulações, o roubo das realizações de terceiros, a maquiagem da crise, a negação do quadro de deterioração moral marcada pelas denúncias de corrupção no governo, tudo demonstra que continuamos na mesma entaladela. Some-se a isso a confusão instalada na corte de Bolsonaro onde seus filhos se digladiam com generais para fazer coro ao guru Olavo de Carvalho, dublê de astrólogo e polemista, recém-homenageado com a Ordem do Cruzeiro do Sul, galhardia para ser concedida apenas a quem tenha dado grande contribuição ao país. Não é o caso do obsceno e maledicente Olavo que encanta os filhos do presidente e uma chusma de radicais de direita.

A percepção do desastre pelos brasileiros vem rápida através do bolso. A alta dos preços é assustadora. E a culpa de tudo, para a maioria, é dos partidos e dos políticos. Todos caíram em desgraça. Há um clamor intenso pela mudança de rumo. Quando o cinto aperta, talvez seja uma oportunidade de fazer perguntas simples: para onde vai o nosso dinheiro? Nós concordamos com a destinação?

Sob a “bolsomonarquia”, o Brasil se tornou o laboratório do novo autoritarismo. Jair Bolsonaro mostrou que pretende governar não por planejamento nem por projetos, não por estudos e cálculos bem fundamentados nem por amplos debates com a sociedade, mas sim pelos urros de quem pode urrar nas redes sociais. O presidente já fritou pelo menos um ministro e tomou decisões a partir da reação de seus seguidores. Se Donald Trump inaugurou a comunicação direta com os eleitores pela internet, na tentativa de eliminar a mediação feita por uma imprensa que faz perguntas incômodas, seu autodeclarado fã brasileiro deu um passo além. Vende como democracia o que é corrupção da democracia. Governa não para todos, mas apenas para a sua turma.

A bolsomonarquia com frequência é mais real – e efetiva – que o governo oficial. Os três filhos, também políticos profissionais, que ele chama de 01, 02 e 03, fazem o serviço de expressar a vontade do “Pai”, que eles tratam assim, com letra maiúscula. Se no governo oficial há um ministério oficial, no cotidiano informal da internet o governo é familiar. A bolsomonarquia digital se mostra seguidamente mais real – e também mais efetiva.

O presidente confirma e legitima o anúncio de seus “garotos”, como ele chama sua prole masculina, com um retuíte. Especialmente os de 02, Carlos Bolsonaro, vereador do Rio, também conhecido como o “pitbull” do pai. A prole feminina, como Bolsonaro já nos informou, com a elegância habitual, é resultado de uma “fraquejada”.

 

Onde vamos parar?

Se a situação do Brasil não melhorar, não há popularidade que se mantenha. É preciso perceber, porém, que Bolsonaro faz parte de um fenômeno contemporâneo: as escolhas são determinadas pela fé, não pela razão. É o mesmo mecanismo que faz com que, em 2019, as pessoas decidam acreditar que a Terra é plana ou que achem sentido em afirmar que o Brasil e o mundo estão ameaçados pelo “comunismo” ou que faz o chanceler, Ernesto Araújo, garantir que o aquecimento global é um complô de esquerda.

As eleições e o cotidiano têm sido determinados por uma interpretação religiosa da realidade. A adesão pela fé é um fenômeno mais amplo e não necessariamente ligado a um credo, já que há muitos ateus que se comportam como crentes. E não só na política, mas em todas as áreas da vida. Esta é a marca deste momento histórico.

É o que também explica que, mesmo com quatro meses de um governo em que Bolsonaro disse e desdisse o que disse, seu filho 02 chamou um ministro de mentiroso e a divulgação dos áudios mostrou que quem mentia era o presidente, mesmo com investigações que apontam envolvimento do filho 01 com a corrupção e com a milícia suspeita de ter assassinado Marielle Franco, que mesmo com as denúncias do laranjal do PSL, que mesmo com ministros enrolados com malfeitos, que mesmo com os 24.000 reais de Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama, sua popularidade pessoal ainda é alta. Quase 58% acreditam que Bolsonaro mudará a vida dos brasileiros para melhor, segundo a mais recente pesquisa da Confederação Nacional do Transporte. É comprovadamente o mais desastroso início de governo das últimas décadas, mas ainda assim Bolsonaro segue popular.

E a economia? As reformas? A redução do Estado? Lembra a Miriam Leitão, que em época de penúria dos cofres públicos faz mais sentido se perguntar qual é o custo de cada decisão e para onde vai o dinheiro coletivo. Esta é a hora, portanto. Há muito imposto que sai dos nossos bolsos para benefícios que não fazem sentido. Uma cervejaria inscrita na dívida ativa do Rio ganha R$ 687,8 milhões, e o governo do Rio corta na merenda escolar. Faz sentido?

Quando há abundância de recursos, as pessoas às vezes nem se dão conta de certos absurdos. Quando o cinto aperta, talvez seja uma oportunidade de fazer perguntas simples: Para onde vai o nosso dinheiro? Nós concordamos com a destinação?

 

Sinais de deterioração

Há quem defenda que para “reequilibrar o Brasil é preciso aumentar impostos”. Soa a deboche. Primeiro seria preciso saber se gastamos bem o dinheiro já recolhido dos cidadãos, que neste momento estão com vários apertos. A inflação subiu por erros na condução da política de preços públicos. Ao subir, comeu parte do Orçamento. A recessão está dizimando empregos e o país tem hoje 13,2 milhões de desempregados.

O “superministro” Sergio Moro descobriu-se menos super. Tratado como herói por sua atuação na Operação Lava Jato, Moro foi pressionado pelo presidente a “desconvidar” Ilona Szabó, diretora-executiva do Instituto Igarapé, como suplente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Szabó é uma reconhecida especialista na área da segurança, mas os seguidores de Bolsonaro a consideram “esquerdista”. Aparentemente, eles entendem que um conselho deve ter pessoas que pensam igual, porque daí não é preciso se dar ao trabalho de debater e apresentar dados consistentes para fundamentar as escolhas. Os conselheiros apenas confraternizam, dividem um pão com leite condensado, tomam um café no copinho plástico ecológico.

A capacidade cognitiva dos seguidores de Bolsonaro, porém, o país e o mundo já conhecem. O impressionante foi Moro ter cedido. E mostrado à população que não tem nem mesmo o minipoder de nomear uma suplente sem ter a aprovação da prole de Bolsonaro e sua turma. Assim que o ministro da Justiça anunciou o vexatório recuo, o 03 tuitou: “Grande dia”. Aparentemente, os garotos adoram a hashtag #GrandeDia.

É a estética da bolsomonarquia – e não a ética – que começa a horrorizar os apoiadores e parte do ministério. Bolsonaro sabe que não é inteligente nem preparado, sabe que sua relação com o Congresso é precária e sabe também que uma parcela de seus ministros e das forças de direita que o apoiaram já está horrorizada com a vulgaridade de sua família no poder. Não significa que estes apoiadores desaprovem a violência. Apenas que prezam as boas aparências. É a estética da bolsomonarquia que os horroriza. E não a ética.

Como quando o presidente diz ao ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que está preocupado em ter que pagar os honorários do ex-amigo Bebianno, que era seu advogado em ações na Justiça. “Se ele me cobrar individualmente o mínimo, eu to f… Tem que vender uma casa minha no Rio para pagar”. O republicano diálogo do presidente da República com o ministro-chefe da Casa Civil sobre o recém-demitido ministro da Secretaria-Geral da República foi vazado numa “ligação acidental” de Onyx a um jornalista de O Globo.

 

As contradições internas

Bolsonaro sabe também que está no meio de diferentes forças que o apoiaram para botar seus projetos de poder no topo da lista de prioridades. E sabe que nem sempre os interesses coincidem, como no caso da transferência da capital de Israel para Jerusalém, que agradaria aos evangélicos, mas desagradaria ao agronegócio. Essas forças precisavam dele para chegar ao poder central ‒ ou para se manter no poder com ainda mais poder do que no passado. Mas não têm apreço pela sua presença no Planalto se sua figura trapalhona e truculenta, com suas crias barulhentas e mal-educadas, começarem a prejudicar os negócios.

Bolsonaro também já sentiu o bafo na nuca do vice-presidente, general da reserva Hamilton Mourão. Todo o capital de que dispõe para se manter ativo no jogo, e não apenas uma marionete, é a popularidade nas redes sociais, as mesmas que garantiram a sua eleição. Bolsonaro já mostrou que fará tudo, inclusive ampliar a crise do país, se necessário, para manter esse capital ativo ‒ o que significa manter seus seguidores sentindo-se “representados”.

Há formas de cortar gastos que são regressivas, atingem mais os mais pobres. Mas há despesas que podem ser eliminadas ou reduzidas e, dessa forma, melhorar a qualidade do Orçamento. Por que o Brasil precisa destinar R$ 1,2 bilhão ao ano para subsídio ao carvão mineral? É um exemplo. Há vários deles, em qualquer nível da administração.

A maioria dos estados está recorrendo a depósitos judiciais para pagar despesas correntes e até aposentadorias. Os depósitos judiciais são recursos incertos porque ainda não foram julgados. O seu uso é perigoso, pois pode criar novas distorções nos indicadores das contas públicas.

Bolsonaro tenta convencer que se mover pelos gritos dos bolsocrentes nas redes sociais é democracia. Não é. O que Bolsonaro faz prescinde de qualquer instrumento que garanta a vontade da maioria dos brasileiros a partir de processos previstos em lei, com acesso assegurado e aferição confiável. O que Bolsonaro garante é apenas o desejo de um grupo capaz de fazer seus gritos ecoarem na internet, muitas vezes pelo uso de robôs. É justamente o voto que tem sido desrespeitado dia após dia no Brasil de Bolsonaro. Mas, na época em que a verdade se tornou uma escolha pessoal, como respeitar os fatos? Quando a verdade é autoverdade, como fazer a democracia valer?

Se Bolsonaro seguir nesse rumo, e tudo indica que seguirá, o destino da maior economia da América Latina será decidido pela quantidade e volume dos urros dos bolsocrentes nas redes sociais. Nos próximos meses, a experiência brasileira mostrará como o novo autoritarismo vai evoluir no confronto com a realidade. É improvável que os diferentes grupos no poder, com ênfase na turma da farda, vão seguir o caminho vexatório de Sergio Moro.

 

As razões do desalento

Para o cidadão é um pé no saco acordar neste país com os noticiários a bradar as últimas prisões de políticos corruptos e os novos insucessos da economia. Na mais alta corte de justiça do país, o STF (Supremo Tribunal Federal), juízes se guiam pelas circunstâncias políticas com ouvidos atentos para o clamor das ruas. No Congresso, deputados e senadores acoelhados. Na Procuradoria-Geral da República, o jogo de cartas marcadas, as manobras políticas revestidas de ação judicial, enquanto corre a disputa pelo cargo de procurador-geral.

O herói brasileiro de nossos dias já não é um ditador de plantão, nem um governante, nem um político que tenha credibilidade na massa. Também não é um jogador de futebol, esporte que por aqui anda fraco e desmoralizado, com os seus craques jogando na Europa. O herói pátrio é um procurador da República que comanda a Operação Lava Jato e encaminha as investigações da teia de corrupção que parece envolver toda a estrutura do Estado patrimonialista que desviou bilhões das empresas estatais. Tem seguidores provinciais. Promotores que almejam a mesma notoriedade.

O país carece de lideranças referenciais na política. O tucano Fernando Henrique Cardoso envelheceu, saiu do jogo, não entra no rol de alternativas para governar o país. Ele se mostra saudável, namora, viaja, escreve, mas entrou para a história e não quer voltar para o esgoto da vida pública brasileira como ator. Seu partido, o PSDB, se deixa manchar por um oportunismo amplo, irrestrito e hipócrita, de prostitutas em convento sem perceber que temem ser consumidos pela fogueira que acenderam.

Lula, o metalúrgico, símbolo máximo da mobilidade social no Brasil, condutor das massas e líder do PT, ex-presidente e candidato a voltar ao cargo quando puder, está preso. A mídia refocila. Vive o gozo da notícia escandalosa, como se a função da imprensa fosse essa, noticiar o caos, o crime de colarinho branco, com evidente traço de ressentimento social. Espera o escândalo final, o fim dos dias de prazer, como nos grandes cabarés franceses antes da invasão alemã.

O efeito Lava Jato, nome da operação que investiga a corrupção no Estado Patrimonialista brasileiro, encontrou pela frente um vácuo absoluto de poder. “A corrupção é endêmica e está em processo de metástase. Não está adstrita à Petrobras, espalhou-se para outros órgãos da administração pública”, disse o procurador Athayde Ribeiro Costa, da força-tarefa da Lava Jato.

 

Há saída para a crise?

É preciso achar saídas, por mais dolorosas que elas sejam. E sabemos quem vai pagar de forma mais dura o preço do desgoverno e da corrupção. É só conferir as contas de luz, os preços de alimentos, transporte, bens e serviços, o emprego que vai embora.

Embora o país tenha pelo menos 25 empreiteiras de grande porte, de acordo com o faturamento publicado na revista O Empreiteiro, as 10 denunciadas pela Lava Jato aparecem em todas essas obras e, na maior parte das vezes, com generosos financiamentos do BNDES, que também assegurou a elas expansões na América do Sul. Sempre com o aval de Lula. A partilha entre o cartel de empreiteiras companheiras pode ter garantindo obras da Copa para todas, mas no caso do Centro de Lançamento de Alcântara, de onde sairiam os foguetes ucranianos, o contrato do consórcio Odebrecht-Camargo Correa foi direto, sem licitação.

Ora, pois, não há receita mais perversa para um país do que um governo tarimbado em incompetência. E de uma casta de políticos que, apesar da renovação no Senado, na Câmara Federal e nos parlamentos estaduais, continuam com os velhos vícios de país que gasta a rodo sem ter receita. Que, quando não patrocina, estimula ou faz vista grossa à corrupção. Dilma Rousseff jamais imaginaria que as palavras ditas por ela em 2013, na inauguração da Arena Fonte Nova, em Salvador, seriam proféticas: “Somos um país conhecido como sendo insuperável no campo, mas nós estamos mostrando que somos insuperáveis também fora de campo”. Hoje o mundo se curva a um recorde nunca dantes alcançado em lugar nenhum do planeta. Nossa taxa de corrupção é inalcançável.

Entre os principais responsáveis por isso, o conluio espúrio e promíscuo entre empreiteiros, políticos, governantes, doleiros e lobistas. Instalou-se o salve-se quem puder e como puder.

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