No meu ventre flores

no meu abandono te descubro

te esqueço

te deixo na parte mais profunda da pele

para que se torne uma cicatriz

que não posso ver

mas que lateja ao anoitecer

 

quando meus cílios se abrem de manhã

percebo a pele de escamas

em cores violetas

 

e me lembro

 

um dia silêncio

os brancos e os matizes

 

cortar o ar com uma incisão precisa

formar palavras ocultas

de um tempo ancestral

vindo do sangue sagrado de pulsos acostumados

a bordar, a lavar, a plantar

 

carrego no meu ventre flores

nos olhos pétalas que voaram até mim

pela memória

sem tempo verbal

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