O pai do Pasquim

Creio que as três maiores virtudes que um jornalista possa ostentar, a saber: talento, ímpeto, vocação; indiscutivelmente, foram uma constante na trajetória de Tarso de Castro.

Em recente leitura de sua intrigante biografia, brilhantemente realizada por Tom Cardoso/Ed. Planeta, podemos avaliar o quanto de empolgante marca o percurso desse personagem nascido em Passo Fundo e que, em determinada circunstância histórica, aos 22 anos, desembarca no Rio de Janeiro.

A partir desse marco decisivo, Tarso começa sua peregrinação. De fácil convívio, inicia seu percurso de amizade, além de seu impagável transcurso pelas redações dos jornais locais à época. Seu trânsito, movido por um frêmito etílico, enfrentava todo e qualquer obstáculo que pudesse desafiá-lo. Todos os periódicos vivos e audazes – Última Hora, Jornal do Brasil, Tribuna da Imprensa – foram “hospedagem” do jornalista gaúcho Tarso.

Até que o mundo girou e no dia 26 de junho de 1969, era fundado o Pasquim. Onde Tarso reunira um superelenco de intrépidos colegas numa jornada revolucionária em toda história da imprensa brasileira. Tarso foi seu idealizador, sempre partindo do ponto de vista da audácia do gume, da insolência provocativa, do desacato sísmico, como fora a entrevista de Leila Diniz.

Pelo lado folclórico, nosso personagem, segundo consta dos depoimentos, fora um tremendo “artilheiro” no que possa dizer respeito às mulheres. Nara Leão, Betty Faria, Zezé Mota, Danusa Leão, Leila Diniz, foram algumas com quem Tarso desempenhou sua famosa artilharia. Bom de copo. Bom de bar. Bom de papo. Bom de audácia. Beijava seus diletos amigos: Tom Jobim, Caetano, João Ubaldo, Luiz Carlos Maciel, sempre com aquele tradicional selinho.

Mas seria imperdoável não mencionar seu caso com Candice Bergen. A famosa atriz norte-americana estava de passagem pelo Brasil, e nosso audaz jornalista tomara ciência do fato. Dito e feito. Informado de tudo – sempre –, Tarso promoveu uma visita à famosíssima atriz. Apenas três fatores fizeram Candice se estatelar de paixão pelo descabelado Don Juan insurgente: rosas, um ursinho e uma estratégica mordida na orelha da estrela.

Em seu livro de memórias, Candice relata que Tarso tenha sido sua única e verdadeira paixão.

Sua vida fora um suntuoso turbilhão de fatos, dissabores, encantos e fracassos.

Vale a pena a leitura de sua portentosa biografia. Além da lembrança de Jaguar: “Tarso foi o meu John Wayne predileto”.

 

 

Legenda foto: Tarso de Castro e Candice Bergen

 

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