Uma wagneriana

“A obra de Wagner nos dá a oportunidade de refletir sobre os valores mais importantes e profundos de nossa existência e de vislumbrar um mundo transformado para as próximas gerações”

 

Um guia dedicado de Parsifal, a última obra de Richard Wagner, só poderia ser produzido por uma wagneriana, uma que visse o abismo e não se encolhesse, que mergulhasse diante das profundezas do tempo, entre passado e futuro, e tornasse prática e conciliadora, para aqueles que leem e escutam, a criatividade humana. Foi o que Lúcia Schiffer Durães, autora do livro Guia do ouvinte – Parsifal Richard Wagner, fez.

Lúcia nasceu em Ponta Grossa e, para quem não possa imaginar, circulou em sua formação pela Administração de Empresas (graduação na UFPR) e também em Direito Internacional (bolsista da Fundação Rotária do Rotary Internacional na Universidade D’Aix-Marseille III). Também estudou piano com a professora Margô Zugueib durante muitos anos, dedicando-se às obras musicais de Wagner. Durante nove anos, foi aluna do maestro e professor Osvaldo Colarusso, consultor e orientador musical do seu Guia.

Wilhelm Richard Wagner (1813 – 1883) foi compositor transformador da ópera alemã. Sua obra Parsifal foi apresentada no segundo Festival de Bayreuth, em 1882. Como Durães coloca em seu livro de início, “Wagner não era ligado a uma religião específica, mas tinha uma crença pessoal que foi transmitida por meio dos símbolos míticos de sua arte”. A transcendência por meio da arte, o ápice e o êxtase religioso, era aspecto do romantismo de seu período e por muito utilizado por ele. Porém, o compositor “reuniu lendas, mitologias e contos da Idade Média” e os transformou em óperas.

O Guia do ouvinte, que é acompanhado de um CD-ROM com gravações dos 29 temas exemplificados no livro, também vem com o nome dos temas gravados por Osvaldo Colarusso e a tradução em alemão-português da ópera. É dividido de modo a nos explicar todos os pontos atravessados pela pesquisa: 1. Considerações gerais sobre a obra de Wagner; 2. Ópera Parsifal; 3. Lista de temas; 4. Parsifal, análise musical e comentários; 5. Partituras etc. Para não citar todas as ramificações da busca incessante pela compreensão e partilha da obra de arte.

Lúcia, em seu estudo vivido, ouvido e sentido, salta como uma completa wagneriana. Na busca em se completar com a arte, em todas as frentes possíveis. Uma aprendiz e autora, capaz de se dedicar ao intenso, ao que nos toca profundamente. Anos de estudo, vasta pesquisa e esforço pessoal. Como a própria coloca, sem acrescentar definições, fins, verdades absolutas “o Guia do ouvinte é incompleto, pois é o resultado dos meus limites e alcances para analisar e compreender a ópera Parsifal, e foi decisão pessoal limitar o trabalho, para que este livro cumpra a finalidade que seu próprio título propõe”. A honestidade da criação, da dedicação em sua finitude terrena e física. Sabemos o que propõe a obra de arte: o além, o mais – o sempre mais. Capaz de se atingir, impossível, em alguns momentos, de se explicar.

 

Foto: Dico Kremer

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