Ave Maria Julieta

Em meio ao elenco de cronistas masculinos, havia, por volta dos idos de 1977, uma figura feminina. Sua crônica assumia, plenamente, um vigor alternativo de mirada. Em seu curriculum vitae, registrava a condição de professora de Literatura, na Argentina. Ostentava um sobrenome de altíssimo quilate. Sempre aos sábados, seu espaço tornara-se imperdível àqueles que, como eu, a aguardava ansiosamente.

Mas o que mais encantara, além de sua aromática leveza no trato com determinados temas, seria, impagavelmente, seu olhar na contracapa de seu único romance: A busca.

Parecendo, de pronto, algo sentido no longínquo, uma sombra deslizando entre bambus? Um olhar de fugidio pensar, e aquela placidez de fragrância culminante no firmamento. Nada tão mineiro naquele firmar o zero da vida! Ou algo tão, como queria Pessoa: multíplice, que só o silenciar explicaria…

Em verdade, Maria Julieta Drummond de Andrade, já se apresentava com indiscutível pendor para o texto breve, a compactação do efêmero em vigência cotidiana. Sua delicada abordagem apresentava algo de pelica & perícia, alfenim & marzipan, uma singela poetização do urgente.

E sempre um texto espertado no interior de todo rotineiro viver, que, algum tempo depois, como muitos outros coletados, fora presenteado aos seus fiéis leitores de muitos sábados, com o dulcíssimo livro: Um Buquêt de Alcachofras, pela legendária José Olympio.

Seus fiéis leitores notavam aquela sua paz, e sempre aquele seu olhar fulgurantemente suave, perante os fatos, as notícias que se publicavam à época; serenamente você, Maria Julieta, nos conduzia usando o formato daquele brilho que emanava de suas palavras, de seu tão bem conduzido texto.

Até porque aquele seu olhar, imenso e repleto de situações contidas em sua retina, nos dava a explicação e o porquê de sua palavra tão certeira, que líamos tão encantados, como se o sábado nascesse dourando a música da manhã, qual o sol da calha.

Mas nada supera, superará, o que seu pai escrevera. Por certo que aquele seu verso, traduziu o seu jeito de olhar; como se parecesse um passeio de lancha sobre camélias… Porque as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão.

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