O jazz no cinema

O primeiro filme sonoro, “O cantor de Jazz” (The jazz singer) de 1927, com o astro da Broadway Al Jolson, de jazz não tinha nada, assim como a fraca versão de 1980 com Neil Diamond. Grandes trilhas jazzísticas foram compostas para estórias sem referências ao jazz, como por exemplo “O homem do braço de ouro” (The man with the golden arm). Dirigido por Otto Preminger, com Frank Sinatra, Kim Novak, música de Elmer Bernstein, de 1955, United Artists. O tema jazzístico tornou-se um “standard” para músicos e orquestras. Sinatra não canta no filme e mostra seu personagem injetando na veia as doses de heroína, que o arruinaram. Foi um marco na época. Outro filme do mesmo diretor, “Anatomia de um crime” (Anatomy of a murder) de 1959, com James Stewart, Lee Remik, com música de Duke Ellington, que faz uma ponta como pianista de uma pousada, é considerado um dos melhores filmes de tribunal. Vamos dar alguns exemplos de filmes em que o Jazz, além da trilha, faz parte do enredo.

“New Orleans”, dirigido por Arthur Lubin, 1947, UA, com Arturo de Cordova, Dorothy Parker, Louis Armstrong, Billie Holiday, Woody Herman, Kid Ory e Meade Lux.  É o único Longa metragem em que podemos ver Billie Holiday cantando e interpretando uma empregada doméstica, apesar de seu título de Lady do blues, claro, em uma Hollywood dos anos 40. Quando Armstrong apresenta os componentes da sua banda, é um virtual “quem é quem” no Jazz clássico.  Apesar da fraca estória, os artistas nele envolvidos o torna de importância histórica.

Louis Armstrong apareceu em outros filmes, como “Alta Sociedade” (High Society) direção de Charles Walters, Metro, 1956, com Bing Crosby, Frank Sinatra, Grace Kelly (em seu último filme antes de Mônaco), Celeste Holm. É mais para um musical de Cole Porter, mas o número “Now you has Jazz” com Armstrong e Crosby, mostrou uma química maravilhosa, que rendeu um álbum com dez faixas para a MGM Records, além da trilha sonora do filme. Outra ponta, esta, numa sequência antológica de Armstrong foi no fraco “Alô Dolly” (Hello Dolly) em que, com Barbra Streisand, canta a música tema. Direção de Gene Kelly, produção de 1969.

“O ocaso de uma estrela” (Lady sings the blues), baseado na biografia da própria Billie Holiday, publicada em 1956, com Diana Ross, Richard Pryor, direção de Sidney J. Furie, distribuição Paramount de 1972, produção da Motown. Indicada ao “Oscar” por seu desempenho, Diana Ross não canta nem de longe como Billie Holiday, e a crítica não foi muito positiva, achando o roteiro simplista e cheio de clichês. Música de Michel Legrand e Gil Askey.

“Por volta da meia-noite” (Round midnight) dirigido por Bertrand Tavernier, com o saxofonista Dexter Gordon, indicado ao “Oscar” de melhor ator, François Cluzet, música composta e conduzida por Herbie Hancock, ganhou o “Oscar de melhor trilha sonora em 1987. Mistura ficção e história real sobre músicos negros entre Paris e New York. Elenco formado por músicos em performances memoráveis e com som direto, em cenários desenvolvidos levando em conta a maravilhosa captação de áudio obtida. Produção EUA – França de 1986, com distribuição Warner, inspirada e dedicada aos lendários Bud Powel e Lester Young. Dentre os músicos estão Chet Baker, Ron Carter, o próprio Herbie Hancock, a voz de Bobby McFerrin, John McLaugghlin, Wayne Shorter, Bobby Hutcherson e outros. Para quem gosta de Jazz e cinema.

“Bird” baseado na vida de Charlie “Bird” Parker, grande saxofonista, morreu aos 34 anos de idade, sua genialidade destruída pelo uso de drogas cigarro e álcool na década de 50. Com Forrest Whitaker, Diane Venora, concebido e dirigido por Clint Eastwood, grande entusiasta de jazz, produziu o filme de forma independente pela Malpaso dele próprio. “Oscar” de melhor som em 1989, distribuído pela Warner.

Ray Charles, cantor e instrumentista, nasceu em 1930, ficou cego aos 7 anos, emplacou inúmeros sucessos, teve vida muito atribulada, foi considerado gênio do “Soul”. Rendeu um filme em 2004, “Ray”, dirigido por Taylor Hackford, com Jamie Foxx, Kerry Washington, “Oscar” de melhor ator e mixagem de som em 2005, distribuído pela Universal. A cinebiografia mostra as fases de sua vida, a cegueira, o piano, suas várias amantes, o filho fora do casamento, o envolvimento com drogas (heroína), a composição de suas canções mais conhecidas, e claro, sua música. Grande sucesso de público e crítica.

Normalmente a biografia de músicos de jazz, repletas de fracassos, drogas e morte prematura, não encontra grandes plateias, o que explica poucos filmes sobre este tema.

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