Editorial. Ed. 213

Há outra Curitiba. Não essa cartorial, hierática, da história oficial e das instituições públicas. Não a cidade que também se denomina República de Curitiba em homenagem à Operação Lava Jato, instituída para combater a corrupção e que desde logo evidenciou seu vezo conservador, ao dirigir seus esforços preferencialmente para expor os governos de esquerda comandado pelo Partido dos Trabalhadores e por seu líder maior, Luiz Inácio Lula da Silva.

Sim, há outra Curitiba além dessa. Sempre houve. Uma Curitiba que pulsa, que cria, que não se submete e nem participa dessa cidade que gravita em torno dos poderes constituídos. Outra Curitiba de muitas faces. A Curitiba que trabalha, que produz, que está nas fábricas, nas construções, no mundo do trabalho. Também é uma Curitiba de estudantes, de jovens que contestam. De artistas, criativos, cidade de poetas, escritores, artistas plásticos, compositores, instrumentistas. Gente cuja sensibilidade mais aponta para o trabalho que para as cortes, que vive longe dos palácios, que não está conformada às leis e normas. A Curitiba que surpreende e vai às ruas para dizer que não concorda e para gritar o que considera justo.

Esta Curitiba, vista pelos governantes, juízes, desembargadores, políticos, as chamadas pessoas gradas, não existe ou está submersa. E muito se irrita quando a outra emerge e toma as ruas. Imponente. A mostrar a força de quem prefere a mudança. De quem não aceita manobras de fórum, de quem não admite que a liberdade seja posta em risco.

“Quero a cidade que me impulsa/ não essa que se discursa/ que se escusa, amordaçada/ em seu castelo de olhares,/Não essa, fotogênica/ hierática, higiênica/ desenhada em linhas frias/ com suas pobres luas de acrílico”.

Esta outra Curitiba é que a IDEIAS pretende mostrar neste número, especialmente para quem aqui mora e não a conhece porque não a quer conhecer.

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