Naquela mesa tá faltando ele…

Na madrugada de sábado, 29 de junho, meu pai despediu-se deste plano, aos 80 anos. Graças a Deus, passagem tranquila, em casa, sem traumas, cânulas e cateteres, próprios de hospitais e UTIs. Claro que nessas circunstâncias a aceitação do fato fica um pouco mais fácil. Fácil mesmo, nunca é.

Ao vê-lo no velório, onde as horas não passam, passou-se um filme na minha cabeça. Momentos todos de uma vida, junto àquele que me deu essa vida.

Por personalidade e dedicação ao trabalho, foi um pouco distante no dia a dia na educação dos filhos, além de mim, mais dois irmãos. Tarefa essa que minha mãe desempenhou muito bem. Claro que algumas vezes ele era usado como fator regulador de comportamento: “Vocês vão ver quando seu pai chegar”, e víamos e sentíamos. Porém, tudo adequado à época, sem muito mimimi, colaborou para nos tornarmos o que somos hoje.

Sempre trabalhou com transporte de cargas. Inicialmente, gerenciando uma transportadora de seu tio, época de ouro do café, anos 1960. E na década de 1970 teve sua própria empresa. Foi presidente do Sindicato das Empresas de Transporte por duas gestões. Foi homenageado em vida pelo Sindicato, seu maior orgulho.

Altos e baixos nas finanças e na vida. Provei pouco dos altos, vivi muito dos baixos.

Ensinou-me a trabalhar desde cedo. Aos 14 anos, fui office boy de sua empresa. Queria que eu prestasse concurso para o Banco do Brasil (sonho de todo pai na época), porém, eu já sonhava com a medicina.

Um pouco ranzinza, acabava de almoçar aos domingos na casa dos filhos e já queria ir embora, assistir futebol pela TV. Palmeirense de carteirinha, vivia os momentos atuais em glória com seu time.

Nos últimos dois anos uma máquina substituía seus rins. Fazia hemodiálise três vezes por semana. Perdeu muito do seu vigor físico e já começava a dar sinais de cansaço pela situação.

Foi em paz e fiquei em paz, ciente de que tudo fiz para proporcionar-lhe o melhor, mais que isso, dei minha presença física o máximo que pude.

Agora, tempo ao tempo, pois neste momento, naquela mesa está faltando ele, e a saudade dele está doendo em mim…

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