O Castello da coluna

Legendário e invencível. Assim poderíamos escrever sobre a equipe de galácticos que o Jornal do Brasil exibia em suas páginas. À época de 70, quando em determinada fase de sua história, ainda com a condessa Carneiro comandando o elenco de jornalistas, àquela altura, verdadeiras estrelas ao firmamento da grande imprensa.

Unicamente, havia uma estrela que se destacava. Ao que abríamos a porta do JB, logo deparávamos com a – imperdível – página dois. Sua coluna tinha – dentro da atmosfera pesada da política brasileira – certo estilo raro de abordagem; mestria de quem sabia de quem sabia desvendar o resvalo sinistro do meandro; mescla feliz de suavizar os respingos costumeiros de alguns lodaçais; dando o tempo certo da metragem de sua coluna. Nunca lançando mão do efeito-firula para registrar algo de podre no reinado de Brasília.

Lembro saudoso o dia seguinte ao grande acontecimento político que se registrara. Sua coluna – sempre finalizando com seu nome completo ao pé da página: Carlos Castello Branco, despertava entre colegas de faculdade aquela rotineira pergunta:

“Rapaz, você leu o Castellinho?”

E todos abriam questão a partir da narrativa do mestre.

Piauiense. Mas que, em determinada época, teve a substanciosa companhia dos mineiros: Otto, Sabino, Paulo Mendes, face à sua estadia pelas Minas Gerais.

Todos nós líamos sua coluna em confessável admiração. E todos aqueles que o liam, sabiam, de sua invencível transparência. O critério isento ao focalizar certo aspecto espinhoso do tema, isenção pétrea que o qualificava entre os maiores representantes do jornalismo cristalinamente sério, idôneo, a fidelidade espartana no tocante à verdade.

Em algum determinado setor de sua vida, aventurou-se pelos caminhos da ficção. Praticou um elenco de contos, publicados sob o auspício da Academia Brasileira de Letras. Mas, assim parece, a atividade literária para Castellinho, seria, invariavelmente, um ambiente paralelo à sua extraordinária vocação jornalística. Setor este que o posiciona entre aqueles que na História da Imprensa Brasileira ocupas, indubitavelmente, a 5ª grandeza. Além de imortal pela ABL.

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