“Tenho pena do Moro”

O escritor e jornalista José Augusto Ribeiro lançará “Missão Lula: a outra história da Lava Jato”. Em entrevista à Ideias fala sobre neoliberalismo, Bolsonaro, Moro, esquerda e, obviamente, Lava Jato

 

Eric Nepomuceno afirma em suas sucessivas entrevistas a jovens jornalistas que na sua época, quando era moço, o jornalismo não era uma profissão, e sim um ofício. Com toda preguiça que uma sentença dessa pode dar, podemos, com todo esforço, compreende-la. Talvez, aplica-la. José Augusto Ribeiro seria, tomando a definição de Nepomuceno, um artesão. Um dos últimos “camisas 10” do jornalismo. Sou resistente em aceitar o saudosismo, apesar de compreender que Neymar não é Pelé.

Zé Augusto, 81, já trabalhou em todos os grandes jornais do país. Começou sua carreira no jornalismo simultaneamente à formação em direito, concluída em 1960, na UFPR. Do Estado do Paraná, o abre-alas, passou pelas redações do Diário Carioca, O Cruzeiro, Folha de S. Paulo, Manchete, Jornal do Brasil, Última Hora, Fatos & Fotos, Correio da Manhã, O Globo, TV Globo, TV Bandeirantes e mais. Foi assessor do ministro do Trabalho, Amaury Silva, no governo João Goulart, em 1963. Em 1984, compôs a assessoria de imprensa de Tancredo Neves na campanha presidencial, mesmo cargo que ocupou em 1994 na campanha de Leonel Brizola. Já lançou inúmeros livros, dos quais destacam-se a trilogia “A Era Vargas” (2001), reeditada em 2014; “De Tiradentes a Tancredo, uma história das Constituições do Brasil” (1987); “Curitiba, a Revolução Ecológica” (1993); “Lula na Lava Jato e outras histórias ainda mal contadas” (2018). Além de realizar, em 1979, o curta-metragem, em parceria com Neila Tavares, “Agosto 24”, sobre o suicídio de Getúlio Vargas.

Recentemente debruçou-se novamente sobre a Lava Jato para escrever “Missão Lula: a outra história da Lava Jato”, cujo lançamento ocorrerá em breve na Amazon. A ideia era encontra-lo para falar sobre o livro, sobre Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e The Intercept. O que ele tinha para contar. Para infortúnios e felicidades, Zé Augusto é sempre acompanhado pela expressão “Que cabeça!”. Com riqueza de detalhes lembra de fatos de meio século atrás; e faz associações históricas, políticas, jurídicas com a habilidade de quem tem todos os acontecimentos na ponta da língua. Por isso, daí a parte do infortúnio, foi difícil exercer o papel de jornalista e guiar a entrevista para a pauta desejada, pois tinha na minha frente o que de fato desejava. Que cabeça!

O leitor verá que o livro não é citado durante a entrevista, os acontecimentos ocorridos desde 9 de junho – as reportagens do site The Intercept – passam discretamente. Para se fazer justiça a Zé Augusto e aos leitores, falarei sobre “Missão Lula: a outra história da Lava Jato” e tentar suprir a lacuna que criei. Muitas coisas ditas sobre a Lava Jato, presentes no livro, precisaram ser cortadas; não por critérios editoriais, e sim por espaço. Zé Augusto narra detalhes e faz questionamentos sobre os casos do Eike Batista, sua peruca e a possibilidade de ele passar de culpado a vítima. A hipótese do autor mora no crime de concussão: Eike seria vítima de Sérgio Cabral, que teria exigido R$ 15 mi para não embaraçar projetos do empresário. Ou ainda do reitor da UFSC, Luís Carlos Cancellier, que teria sido estuprado no presídio estadual pelas autoridades, com o disfarce de “revista íntima”, e sucumbiria em seu suicídio. E também o caso de Sérgio Machado que, orientado pelas autoridades, gravou Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney. De resto, encontrar-se-á a seguir tudo o dito anteriormente, as associações históricas, políticas e jurídicas de quem passou uma vida a buscar informações.

 

O livro

São 48 capítulos. Não era a intenção contar a história da Lava Jato, por isso Zé Augusto tomou alguns episódios, como os já citados anteriormente (Eike, Cancellier etc.), e alguns atores. Como foi a entrevista, é seu livro: uma conexão de fatos e associações de ideias. Logo, há capítulos que abordam outros momentos históricos em estreita relação com a Lava Jato.

O autor deixou claro que no momento das revelações do Intercept o livro estava praticamente pronto. O que não foi de certa forma prejudicial, ao contrário, apenas reforçou ainda mais argumentos presentes na obra. As informações foram coletadas desde a condução coercitiva de Lula, em 2016, de maneira ocasional. A partir da prisão de Eike Batista, houve de fato o recolhimento de notas e fatos sobre a Lava Jato e seus temas tangenciais. “Foram as imagens de Eike, de cabeça raspada e uniforme de presidiário assim que chegou ao presídio de Água Santa, antes mesmo de ser interrogado, que me levaram a cotejar aqueles acontecimentos com lembranças de sessenta anos antes, de minhas aulas na faculdade de Direito. Por que raspar a cabeça de um preso, ainda mais de um preso provisório? Por que obrigá-lo a vestir o uniforme de presidiário, se ele ainda não foi sequer interrogado, quanto mais julgado e condenado?  Alguma coisa tinha de estar errada nessa Lava Jato”, afirma o autor na introdução.

Zé Augusto é categórico ao dizer que pretende atualizar seu livro assim que todo o material do Intercept estiver disponível, “as revelações do Intercept não me ofereceram maior surpresa. Elas mostravam o lado oculto de acontecimentos que eram públicos e tentei reconstituir”, escreveu na introdução. O mote do que o leitor terá em mãos foi, sem dúvida, as conduções coercitivas exageradas, injustificadas e, seria possível afirmar, indiscriminadas da Lava Jato. “A cabeça raspada de Eike me levou a escrever este livro”.

 

IDEIAS – Bertold Brecht disse que a justiça é o pão do povo, daí concluiu que “quando o pão é pouco, há fome. / Quando o pão é ruim, há descontentamento.” De qual pão os brasileiros provam?

JOSÉ AUGUSTO – Toda metáfora é traiçoeira, mas parece ser o pão que o diabo amassou. Se pensarmos ditaduras como a do Hitler, na Alemanha, ou Mussolini, na Itália, melhoraram o desemprego, salário etc. Na Itália, os trens começaram a partir e chegar na hora, o que era motivo para muitos aplausos. Aqui, no Brasil, o desemprego, na melhor das hipóteses, estaciona em 12 ou 13 milhões. Fora os informais, os que desistiram de procurar emprego, os subutilizados etc. Portanto, não há nem aquela vantagem econômica que iludiu a maioria dos alemães e dos italianos. Para além disso, há um sentimento muito grande de desânimo, tendo em vista que a cada semana a previsão de desempenho do PIB cai mais. Agora o governo reduziu a previsão oficial de crescimento do PIB de 1,6 para 0,8 no ano. Enquanto isso, os chineses se desculpam pelos 6% de crescimento.

O Brasil já teve PIBs comparados ao dos chineses; no governo Juscelino Kubitschek, para não pegar governos mais próximos, o salário mínimo chegou a valer 500 dólares, e não o dólar de hoje, cuja concorrência com outras moedas enfraquece-o em certa medida. O sentimento naquele governo era uma autoconfiança muito grande, uma retomada da autoestima; hoje isso sumiu, há um pessimismo coletivo do qual eu não consigo partilhar, pois já peguei os vinte anos do regime militar, a crise de agosto de 1954, com o suicídio do Vargas, e outros momentos desanimadores. Então, quando vejo as inúmeras vezes que o Brasil conseguiu “saltar por cima”, não tenho o direito de ser pessimista, de modo que estamos comendo o pão que o diabo amassou, mas acho que mais dia, menos dia, a coisa vai mudar.

 

Não há precedente na história um governo como o do Bolsonaro. Como você avalia a atuação do presidente?

Também não há na história dos EUA um governo como o do Trump. Eu me lembro no segundo Bush, pesquisas revelavam que aquele era o pior governo na história dos EUA, e depois dele, veio o Trump e existe a possibilidade dele ser reeleito. Como aqui o Bolsonaro já está armando sua reeleição competindo com Sérgio Moro e com medo de João Dória. Ou seja, estamos numa escalada do abismo. Já estivemos outras vezes. Mas o abismo nunca chegou.

Vale lembrar que o governo tem um mandato conferido a ele por 57 milhões de brasileiros e ninguém está querendo dar um golpe de Estado, ninguém pensa numa revolução armada, inclusive tudo indica que a era das revoluções armadas ficou no passado. Portanto, o Bolsonaro terá que nos aguentar – ou nós a ele – por mais três anos e meio. O que virá depois não tem como saber. Três anos e meio no plano da história é muito pouco, então é muito cedo para avaliar o pão que diabo amassou.

 

Qual o papel da esquerda nesse processo?

Ela ainda está se recuperando da paulada que levou na eleição. E também da zona de conforto em que ela viveu nos últimos 30 anos, pois antes da Assembleia Constituinte, o Governo Sarney tinha legalizado os partidos comunistas, tinha feito uma grande abertura sindical – o primeiro ato político do Sarney foi anistiar as punições sindicais que o regime militar tinha infligido ao Lula e aos companheiros dele, da CUT e do PT. Foram todos reabilitados e puderam retomar seus cargos no movimento sindical. Então, nos anos seguintes vieram governos que não impuseram medidas drásticas como no passado. Lembro que na época do Lula a esquerda fez profundas críticas a seu governo por não ter ido além do que foi.

 

A esquerda está desconectada da realidade?

Talvez a esquerda tivesse se iludido com a impressão de que venceria a eleição, que seria fácil derrotar o Bolsonaro. Mas é preciso ter em mente que uma das estratégias de Bolsonaro, a partir do discurso do ódio, foi plantada pacientemente ao longo de muitos anos.

Hoje me pergunto se com certeza o Lula venceria a eleição. Porque depois de tanto tempo desse massacre televisivo em cima dele, poderia até o Bolsonaro ganhar – não com os dez milhões de diferença, mas poderia ganhar com um milhão, 500 mil, até dez mil. É preciso levar em conta o efeito desse fenômeno religioso, a chamada “teologia da prosperidade” que alimenta as igrejas fundamentalistas, com a teoria de que não foi o Lula que permitiu o aumento do salário acima da inflação, não foi o Lula que aumentou o número de empregos, não foi o Lula que aumentou as vagas nas universidades; foi a sua associação pessoal com Deus. Os estudiosos desse fenômeno estão começando a expor isso ao público leigo. A pergunta imposta é: não poderia o Lula ser derrotado na eleição? Poderia. Porque esses mecanismos de fake news explicam em grande parte a surpreendente eleição do Trump nos Estados Unidos, cuja apresentação como candidato era extremamente ridicularizada.

 

É possível estabelecer uma relação entre Trump e Bolsonaro?

É um fenômeno mundial. Ainda agora caiu o governo na Grécia numa eleição. Um governo que já tinha capitulado as exigências do Banco Central Europeu e foi sucedido por um governo que vai capitular ainda mais.

George Soros, bilionário húngaro, que vive nos EUA, encabeçou uma carta dirigida à opinião pública internacional pedindo que os governos imponham mais impostos aos ricos para reativar o desenvolvimento econômico e promover a redistribuição de renda. George Soros! Não é nenhum político esquerdista, não é o Lula, não é o Eduardo Suplicy com seu projeto de renda mínima! No coração do capitalismo aparece o Soros pedindo o aumento de imposto para os mais ricos. E nós aqui estamos pensando o oposto. Não é por filantropia, e sim por inteligência que ele pede mais impostos aos ricos. Ele não quer ser pobre como foi na infância, ele quer continuar rico.

O que vem sendo feito é a redução da renda da maioria em favor da fortuna de minorias ridiculamente insignificantes. Veja, por exemplo, a mulher do Bill Gates com a doação de 90% de sua fortuna. Ela faz isso pois não há tempo de vida para gastar os 10% que sobram. E nós não vemos essas coisas porque a mídia brasileira não mostra. Ela embarcou nessa visão de um paraíso a ser produzido – olha só! – pela reforma da Previdência. Estamos reduzidos a isso.

A história parece às vezes andar para trás e às vezes para frente, mas de qualquer maneira não deixa de andar, e numa dessas andadas esse castelo de cartas planetário pode desabar sobre si mesmo, condições para isso acontecer existem. Os próprios ricos estão vendo que caminhamos para isso.

Recordo-me da última entrevista que fiz com Celso Furtado, ainda no governo FHC. Ele disse não entender os motivos de alegria do Fernando Henrique Cardoso, pois ele tinha formação intelectual suficiente para perceber que o neoliberalismo é um beco sem saída. Entretanto, o capitalismo é muito inteligente, quando se encontra nessas situações ele inventa uma alternativa, embora ainda não esteja claro qual é a alternativa do momento.

Ainda não é possível saber a totalidade do conteúdo do site The Intercept e o impacto que ele poderá causar. Entretanto, na primeira revelação, em 9 de junho, que já trazia coisas como a falta de consistência das provas para condenar Lula e colaborações entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, não teve a devida repercussão na mídia. No dia seguinte, a capa on-line de O Globo e do Estadão era sobre a reforma da Previdência. E a mídia de maneira geral deu mais espaço de fala para o hackeamento em vez do conteúdo em si. Tendo isso em vista, qual a força dessa denúncia?

Tentaram silenciar no começo, mas é impossível. Você pode não publicar determinadas revelações, mas não pode deixar de publicar a notícia que o ministro Dias Toffoli deu cinco dias de prazo para o Sérgio Moro para informar se há alguma investigação da Polícia Federal e do COAF sobre o Glenn Greenwald. Não pode deixar de noticiar que a procuradora-geral [Raquel Dodge] convocou o Deltan Dallagnol e os outros procuradores da Lava Jato numa reunião em Brasília. Com essas coisas publicadas, desperta-se a curiosidade: a troco de que Dias Toffoli deu prazo a Sérgio Moro? E o que sabemos hoje, é que o silêncio do Jornal Nacional não impede que pelo menos metade do público tome conhecimento dos fatos pela mídia alternativa.

Pelas reações do Dallagnol e do Sérgio Moro, você vê que eles estão enfurecidos, já não conseguem reduzir àquela primeira explicação do hacker. Não sei quantos dias que O Antagonista diz que a Polícia Federal nas próximas horas vai prender o hacker – e pode ser até que prenda, mas qual a credibilidade disso? E os fatos já não estão dependendo de se comprovar a autenticidade do material publicado. Essa história que o Dallagnol pediu 38 mil reais para pagar um vídeo sobre as “dez medidas contra a corrupção” a ser divulgado na Rede Globo não tem como impedir que amanhã a Folha vá até a produtora e investigue quem pagou.

Agora nós estamos vendo o inquisidor-mor, Deltan Dallagnol, provar de seu próprio veneno. A última notícia [a entrevista foi realizada em 16 de julho] é que ele exigiu um fim de semana com todas as despesas pagas num hotel próximo a Fortaleza para fazer uma palestra. Se a Federação das Indústrias se dispôs a pagar 30 mil reais por uma palestra, como não pagaria um fim de semana para ele e a família num hotel de luxo? Mas o que mais está respingando no Dallagnol não é o fato dos 30 mil reais por uma palestra com as inverdades da Lava Jato, aquela ladainha que ele repete, e sim o pagamento do hotel no fim de semana. Estão fazendo com ele exatamente o mesmo que ele quis fazer com os outros. E não digo que é bem feito porque faço grande esforço para não me deixar contagiar pelo discurso do ódio. Não quero Dallagnol ou Moro presos, quero apenas que eles sejam afastados de suas funções por terem posto na cadeia um presidente que deixou o cargo com mais de 80% de aprovação.

Portanto, não tem como impedir que um repórter do Ceará vá ao hotel onde a família Dallagnol ficou e investigue quem pagou a conta e com qual dinheiro. Há fatos sólidos!

As reportagens do Intercept podem ser comparadas a investigações jornalísticas como a do caso Watergate, que desmascarou Nixon nos Estados Unidos, ou como a do próprio Glenn Greenwald no caso Snowden, que valeu a ele seu primeiro Prêmio Pulitzer.

 

Como você vê a atuação do Moro como ministro da Justiça?

Tenho pena do Moro. Antes ele podia mandar prender, agora não pode; precisa pedir para algum juiz. Sem a menor experiência e inteligência políticas, ele não viu que sua história ficaria muito comprometida no futuro, e os netos dele terão muito constrangimento ao lê-la, ainda mais quando começar a revelar que a Lava Jato foi uma coisa ingênua que sem querer serviu a interesses muito corruptos e antibrasileiros. Porque na onda da recessão e da política neoliberal do governo Temer, estava cheio de estrangeiro de olho na Odebrecht, na OAS, na Andrade Gutierrez, enfim, nas grandes empresas de engenharia para conseguir abatimento no preço e nos negócios realizados, o que é péssimo para o Brasil. Destruiu, só na Odebrecht, 350 mil empregos. Então nessa ingenuidade do Moro e da Força Tarefa da Lava Jato de se considerarem emissários divinos, o anjo da vingança, e pedindo a prisão dos corruptos, destruíram a economia brasileira. Levará muito tempo para recuperar o que a Lava Jato destruiu.

 

Como você compreende a relação do Sérgio Moro com os procuradores?

De certo modo o Sergio Moro acumulou na 13ª. Vara de Curitiba os três poderes da República: o Executivo, porque mandava na Polícia Federal e até interrompia investigações desta, como no caso do grampo descoberto na cela do doleiro Alberto Youssef, o que foi revelado pelo blog do Marcelo Auler; o Legislativo, porque conseguiu congelar e paralisar a discussão do projeto sobre abusos de autoridade; e no Judiciário, porque mandou tanta gente para a cadeia, com provas e sem provas, e teve suas sentenças confirmadas pelo tribunal de Porto Alegre, pelo STJ e em alguns casos pelo Supremo Tribunal Federal. Além desses três poderes, ele controlava também o Ministério Público, que é um quase-poder.

Todo mundo ainda hoje – não serei tão categórico –, quase todo mundo sente a necessidade de prestar homenagem à Lava Jato pelos serviços realizados. Digo quase todo mundo porque eu, por exemplo, não concordo com isso. Acredito que a Lava Jato já começou errada. Pelo fato de ter como base a operação Mãos Limpas, da Itália, que resultou na “Era Berlusconi”, ou seja, um tiro no pé. A operação italiana já devia ter nos ensinado que não é assim que se combate a corrupção. E não é cometendo crimes, como foram cometidos, que se prende corruptos.

Sendo o Sérgio Moro o “pop star” dos magistrados, sua atuação vertical e parcial na Lava Jato prejudica o Judiciário em sua totalidade?

Mais do que a totalidade do Judiciário. Com a cumplicidade da grande mídia com ele, com a Lava Jato e com os enxertos dela, os três poderes da República ficaram reféns do Sérgio Moro e ele próprio se tornou prisioneiro do Frankenstein que criou.

 

Haverá lugar para o Moro no STF?

Espero que não. Aliás, ele escolheu a carreira errada e fez o concurso errado. Ele devia ter feito concurso para a Polícia Federal e poderia tornar-se o Sherlock Holmes brasileiro, desde que devidamente contido pelo Ministério Público e pela Justiça. A vocação dele é investigar e seu maior herói, como ele próprio revelou no programa “Sixty Minutes”, da CBS americana, não é nenhum dos grandes juízes da Corte Suprema dos Estados Unidos, como William Douglas ou Hugo Black, mas o Elliot Ness, do FBI na época da Lei Seca e do Al Capone. O Elliot Ness, pelo que fui ver no Google, também acabou mal, quando fugiu de um acidente de trânsito provocado por ele ou em que esteve envolvido.

 

Fotos João Urban

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