STF e PT na mesma síndrome

Até agora se aguarda, depois de tantas baixas em processos de corrupção, um gesto do Partido dos Trabalhadores (PT) voltado para a autocrítica. A postura negativa se aproxima da soberba como se estivesse tomado por um tipo de razão próximo da mera teimosia ante a avalanche das delações e a massa probatória. Como se tomado por um torpor, faz disso um auto de fé para sustentar o impossível: a inocência do ex-presidente e com ela a pureza de intenções do partido e faz dessa falsidade o fundamento do seu existir e de sua estratégia.

No momento agarra-se nos eventuais desvios da Lava Jato, revelados pelo The Intercept Brasil, como se suficientes fossem para anular as investigações e o julgamento do ex-presidente, já consumado em duas instâncias (e passando pelo crivo de Supremo Tribunal Federal – STF e Superior Tribunal de Justiça – STJ).

Estamos vivendo, até pela disputa aberta intrapoderes, um momento incomum da política brasileira e que pelo sentido das revelações submete todos a julgamento. Não havendo, pelo material colhido, como aceitar, de qualquer de um deles, a integridade comportamental; e isso alcança o Judiciário na constatação de que ao longo de 1988 para cá não deu a mínima para 111 ações de suspeição contra seus ministros, condenando-as ao arquivamento sistêmico, deformação inaceitável num Estado Democrático de Direito.

Agora vai ser convocado para julgar os efeitos dos ajustes entre membros da força-tarefa da Lava Jato, obtidos de forma clandestina, no âmbito do primeiro grau em procedimento que não pratica em sua instância, mesmo quando provocado, pelo menos em seu histórico.

Fica a dever como o PT na questão sensível da autocrítica junto ao seu público ante o acervo de malfeitos praticados a explicação do STF ao questionamento sobre suas omissões feito pelas pesquisas da Fundação Getúlio Vargas.

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