Tio Zulmiro?

Quando ele morreu — em 1968 — o cast mais frequente de nossa leitura de rotina, seria, invariavelmente: Cavaleiro Negro, Mandrake, Mosdesty Blaise, Brucutu e Pacífico e Marocas; tendo o casal como sobremesa.

Mas o Rio inteiro já era sabedor do seu talento demolidor. Mesmo que, em certa época de percursos, teria sido bancário. Eis que o destino fez por “desentortar sua rota bancária” e, logo, estava no jornalismo. A trajetória de Stanislaw Ponte Preta, vulgo de um ardil do cidadão Sérgio Marcus Rangel Porto, trilhava impávido por uma sucessão de talentos: cronista, roteirista de programa de TV, apresentador, comentarista de futebol, locutor de telejornal e, para o coroamento desse time de façanhas, um expert no assunto jazz.

Sua trajetória atinge o registro de ter ingressado e atuado em inúmeras publicações — referências incontestes — no universo da imprensa brasileira: Última Hora, Tribuna da Imprensa, O Jornal, Manchete, Fatos&Fotos; bem como outras que sua biografia registra. Dentre as suas memoráveis criações, podemos citar uma que, indestrutivelmente, continua — como samba — a vigorar, principalmente em relação à letra; o famosíssimo samba do Criolo Doido, que tornou-se expressão habitual no Brasil: notadamente quando as coisas ficam como um samba-enredo sem controle, onde tudo pode acontecer… Stanislaw Ponte Preta, inspirado em Oswald-Ponte-Grande, assumia o posto de alter ego-fiel de Sérgio Porto. Onde ainda criava personagens que hora se encontram, em qualquer antologia de humor; de forme eternizada.

Cito apenas uma crônica de seu “Tia Zulmira e Eu”. Mais ou menos assim:

Havia uma vizinha solteirona. Solitária. Que não tinha bicho nenhum de estimação. Até que, visitando uma casa amiga, é presenteada com uma papagaia. Em cana, percebe a solteirona, que a papagaia é da pá virada… Fala palavrões, cita trecho do Nelson Rodrigues. Descontente, a mulher se desfaz da ave. O homem que a acolhe, avisa: tenho dois papagaios, ultracatólicos que vivem rezando… Colocada perto dos dois, a papagaia desanda na baixaria. É quando um deles se vira pro colega, avisando: Pare de rezar…, Se não estou errado, ou muito me engano, Deus ouviu as nossas preces…

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