Editorial. Ed. 216

Em tempos de degradação, em que valores fundamentais são desprezados em favor da crueldade pelos liberticidas, é preciso se reinventar para assegurar espaços de inteligência e da criatividade. A IDEIAS, desde a sua fundação, procura ser um desses espaços. Mesmo que para isso enfrente a sanha da mediocridade instalada no poder.

Volta à casa um brilho intenso de inteligência e sensibilidade para coordenar este esforço de mudança. Adriana Sydor, antes de tudo, poeta. E mais: jornalista, cronista, condottiere de comunicação, colocara toda sua capacidade a serviço de uma emissora pública, a rádio Educativa. Mas provou-se que suas qualidades e força de trabalho não se ajustam ao mundo de hoje permeado pela política e, especialmente, pelos sentimentos mais primários e primitivos que dominam a vida pública.

Ela retorna à sua casa depois de sofrer uma campanha tão sórdida que inacreditável. A demissão de Adriana Sydor seria um título bastante sugestivo para uma novela de alguém com talentos de Edgar Allan Poe ou Franz Kafka. Ainda não se conhece o final dessa história. O crime foi público, mas o criminoso protegeu-se nas sombras. A vítima foi condenada ao degredo e a todas as consequências de perdas materiais e psíquicas que um processo de tanta crueldade pode causar.

Mas voltemos ao nosso projeto de reinvenção. Sydor chegou com ideias e soluções que vão enriquecer a revista. Teremos entrevistas substanciosas, como a do senador Oriovisto Guimarães neste número. Ele abriu a alma e os projetos para nossa editora. Há inovações também na forma. Na paginação, pela ordem das matérias. Também pela seleção de textos, que passa a ser mais rigoroso. Trouxe secções novas, entre elas uma contribuição extraída da revista Senhor, que na década de 60 tornou-se referência que dura até hoje. A coluna EU vai instigar personalidades referenciais da vida desta cidade a abrir, de forma concisa e cheia de graça, o que é pouco conhecido sobre gente interessante.

Isso não é tudo. Há mudanças no formato e na programação visual, preservando sempre o que a revista tem de melhor, a começar pelos seus colaboradores, os que fazem de IDEIAS uma revista de conteúdo e necessária nesse deserto de inteligência que o populismo mais grotesco está a construir. Olhem, leiam, observem e ajudem com espírito crítico. Boa leitura.

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