É Campeão!

O Athletico Paranaense é campeão do Brasil. Isso significa que passa a fazer parte de um pequeno grupo que forma a elite do futebol brasileiro. Chegou ao terceiro título de primeira grandeza. Além do campeonato brasileiro de 2001, tem na sua galeria de troféus a Copa Sul-Americana de 2018. E não tomem os sucessos recentes como uma fase que logo poderá passar. Ao derrotar o Internacional, em Porto Alegre, na grande final, o Athletico deu mais um passo importante em seu projeto de alcançar um lugar destacado entre as equipes do planeta.

Tudo parte da cabeça de um visionário acostumado a fazer acontecer os projetos mais incríveis no futebol e no campo empresarial. Mário Celso Petraglia mudou a cara do Athletico, que passou de pequeno clube periférico, destinado a lutar para se manter em campeonatos importantes, para o de referência nacional. Foi ele que disse um dia que construiria um estádio coberto. Poucos levaram a sério. Pois aí está a arena, considerada uma das melhores praças do futebol no planeta.

Em 1995 Petraglia assumiu a direção efetiva do clube para reparar os vexames que o Athletico passava. Prometeu que em 10 anos alcançaria o título de Campeão Brasileiros da Série. Demorou bem menos para cumprir. Em 2001, seis anos depois, trouxe o caneco. E mais, foi vice da Libertadores e só não venceu o título porque os dirigentes corruptos do futebol brasileiro, hoje presos ou mortos, impediram o Athletico de jogar em seu estádio.

Mario Celso costuma dizer que o Athletico Paranaense embarcou definitivamente no “trem bala do futebol brasileiro.” Hoje tem a melhor infraestrutura para formação e prática do futebol na América do Sul. O projeto mal começou a ser colocado em prática. Mas para isso precisa trabalhar pela transformação das instituições, com a urgente e necessária revisão da Lei Pelé, com um novo calendário compatível com a criação de uma LIGA que represente os 40 maiores clubes brasileiros, com a venda no mercado internacional das nossas competições, com a abertura de entrada de capital estrangeiro (precisamos de leis claras para darmos a segurança jurídica e política para os investidores), com eliminação dos intermediários e agentes de atletas entre outras providências básicas.

O campeonato deste ano foi importantíssimo nessa escalada. Tarefa gigantesca. O time campeão de 2018 perdeu, por circunstâncias de mercado, Renan Lodi, Raphael Veiga e Pablo. Casos de dopping afastaram Thiago Heleno e Camacho no momento em que a equipe apresentava o seu melhor futebol, em abril deste ano, a ponto de derrotar o Boca Juniors por 3 a 0 na Baixada, pela Libertadores. Paulo André pendurou as chuteiras e virou diretor de futebol. Em poucos meses, metade do time “ideal” de 2018 já não estava mais à disposição da comissão técnica.

Para chegar ao título, o time disputou 8 partidas, no formato “mata-mata”. Por ter disputado a Libertadores de 2019, conquistou o direito de entrar direto na fase de oitavas de final da Copa do Brasil. Logo no primeiro embate, enfrentou o Fortaleza, do então treinador Rogério Ceni. Primeiro jogo equilibrado no Ceará, que terminou em 0 a 0. Na volta, outra parada difícil. O time do Fortaleza segurou o empate que levaria à decisão por pênaltis até os últimos minutos. Quando um novo 0 a 0 já era praticamente certo, Marco Ruben, no final do jogo, faz o gol da classificação rubro-negra.

Nas quartas de final, o sorteio coloca o Athletico frente ao Flamengo. Jogo de ida na Arena da Baixada. Atuação ótima do Athletico e péssima da arbitragem. O lance polêmico em que o goleiro flamenguista pega a bola com a mão fora da área, impedindo chance clara de Marcelo Cirino, foi ignorado pelo arbitro de campo e pelo VAR. Inclusive, a arbitragem de vídeo roubou a cena.  Decisões discutíveis e um protocolo que amarrou o jogo e irritou os jogadores de ambos os times o tempo todo. Placar final 1 a 1. Coube ao Athletico buscar a classificação em um Maracanã lotado. Novo empate com um gol para cada lado. Nos pênaltis, o furacão avançou para enfrentar o Grêmio.

O Athletico chegava pela segunda vez na história à semifinal da Copa do Brasil. Feito alcançado apenas em 2013, quando foi vice para o Flamengo. Pela semifinal de 2019, a primeira partida foi na Arena do Grêmio. Atuação abaixo da média do Athletico e um 2 a 0 para o Grêmio que ficou no lucro para o rubro-negro paranaense. Sobrava ao time de Tiago Nunes a hercúlea missão de reverter os dois gols de vantagem do time de Renato Gaúcho. Tarefa tão difícil que a imprensa de todo o Brasil tratava como impossível. Na Baixada, jogo de volta, casa cheia e uma atuação impecável do Athletico, que devolve o 2 a 0. Nos pênaltis, todos os cinco cobradores iniciais do Athletico convertem as penalidades. Santos brilha, defende o chute de Pepê e leva o Athletico à final contra o Inter.

Ao eliminar o Grêmio, o Furacão frustrou a imprensa gaúcha e acabou com a possibilidade do tão aguardado GreNal na final. Na decisão pela taça, o Athletico tinha grande desconfiança da mídia em relação ao desempenho fora de casa. Muita gente atribuía a força do time ao gramado sintético da Baixada. Crítica que não fazia sentido na medida em que se comparava o histórico do time como mandante. Na nova Arena, sem grama sintética (período de 1999 e a 2016), os números mostram desempenho superior ao que tem no novo gramado. De qualquer forma, ao derrotar o Inter, em casa, por 1 a 0 e também no Beira-Rio por 2 a ,1 o Athletico colocou fim à desconfiança da grande mídia. Com direito a um drible de Marcelo Cirino, na origem do segundo gol no Beira-Rio, que será lembrado por décadas, o clube soube controlar o Inter e ser superior nos dois duelos. Taça inédita para o clube e para o futebol paranaense.

 

Fotos: Divulgação Club Athletico Paranaense

 

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