Tipo agressivo de câncer de mama é influenciado pela ação conjunta de genes e RNA

Mulheres Latinas são frequentemente diagnosticadas em estágios avançados de câncer de mama do tipo triplo-negativo e podem se beneficiar de tratamentos que tem como alvo a biologia de seus tumores

WASHINGTON — Mulheres diagnosticadas com um tipo menos comum e agressivo de câncer de mama, conhecido como triplo-negativo, podem ser diferenciadas de mulheres com outras formas da doença através de um painel de 17 moléculas pequenas de RNA. Estas moléculas podem ser diretamente influenciadas por alterações genéticas encontradas tipicamente em células cancerosas.

Pesquisadores liderados pela Dra. Luciane Cavalli, da Georgetown Lombardi Comprehensive Cancer Center, e colaboradores, descobriram que variações na expressão, se aumentada ou diminuída, dessas moléculas pequenas de RNAs, conhecidos como microRNAs (miRNAs) podem parcialmente explicar as taxas desiguais de câncer de mama do tipo triplo-negativo (TNBC) em mulheres Latinas, quando comparadas a mulheres brancas de origem não-hispânicas e potencialmente resultar em opções de tratamento mais eficazes.

Estes são os resultados de um novo estudo publicado em 22 de outubro de 2019 na revista Oncotarget.

“Devido a variabilidade na expressão de miRNAs de acordo com a raça ou etnia, determinamos que era crítica a caracterização da linhagem genômica (ou ancestralidadede mulheres com TNBC” afirmou Dra. Cavalli, professora adjunta de Medicina da Georgetown University School of Medicine e professora pesquisadora do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, Curitiba, Brasil. “Apesar do foco do nosso estudo ser a genética, permanecemos cientes de que fatores não-genéticos, como as condições socioeconômicas das pacientes, podem impactar significativamente as taxas de incidência do TNBC e outros tipos de câncer de mama”.

Estatísticos estimam que o TNBC ocorre em até um terço das mulheres em países da América Latina, taxa superior ao que ocorre nos Estados Unidos. Os pesquisadores deste estudo se concentraram em pacientes do Brasil, país em que em 2018 foram estimados o diagnóstico de 60.000 novos casos de câncer de mama. 

Os cientistas descobriram que mulheres com TNBC apresentam alterações específicas do número de cópias dos seus genes que influenciam a expressão de 17 miRNAs quando comparadas a mulheres com outras formas de câncer de mama, que não apresentam essas alterações. Eles também observaram que os níveis de expressão da maioria desses miRNAs estavam associados a agressividade clínica do tumor (grau e estágio avançado). 

“O painel de miRNAs que identificamos indica potenciais vias celulares e “networks” de genes críticos ao câncer, que podem ser alvos no desenvolvimento de tratamentos contra TNBC em mulheres Latinas, assim que os nossos dados sejam validados em estudos maiores”, concluiu a Dra. Cavalli. “Utilizando estas alterações genéticas como alvo, que representam a biologia única desses tumores, pode-se desenvolver tratamentos mais eficientes, o que pode aumentar a longevidade de mulheres Latinas que não possuem muitas opções terapêuticas para lutar contra essa doença agressiva”. 

Além da Dra. Luciane Cavalli, autores incluem: Bruna M. Sugita, Departmento de Genética, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil e Faculdades Pequeno Príncipe, Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, Curitiba, PR, Brasil; Silma R. Pereira, Departmento de Biologia, Universidade Federal do Maranhão, São Luis, MA, Brasil; Rodrigo C. de Almeida, Department of Biomedical Data Sciences, Section Molecular Epidemiology, Leiden University Medical Center, Leiden, Netherlands; Mandeep Gill, Akanksha Mahajan, Anju Duttargi, e Saurabh Kirolikar, Department of Oncology, Lombardi Comprehensive Cancer Center, Georgetown University Medical Center; Paolo Fadda, Genomics Shared Resource, Comprehensive Cancer Center, The Ohio State University, Columbus, Ohio; Rubens S. de Lima and Cicero A. Urban, Unidade da Mama, Hospital Nossa Senhora das Graças, Curitiba, PR, Brazil; Kepher Makamb i, Department of Biostatistics, Bioinformatics, and Biomathematics, Georgetown University Medical Center;  Subha Madhavan, Department of Oncology, Lombardi Comprehensive Cancer Center, Georgetown University Medical Center and Innovation Center for Biomedical Informatics, Lombardi Comprehensive Cancer Center, Georgetown University; Simina M. Boca, Department of Oncology, Lombardi Comprehensive Cancer Center, Georgetown University Medical Center, Washington, Department of Biostatistics, Bioinformatics, and Biomathematics, Georgetown University Medical Center, Innovation Center for Biomedical Informatics (ICBI), Lombardi Comprehensive Cancer Center, Georgetown University Medical Center; Yuriy Gusev, Department of Oncology, Lombardi Comprehensive Cancer Center, Georgetown University Medical Center, Innovation Center for Biomedical Informatics (ICBI), Lombardi Comprehensive Cancer Center, Georgetown University Medical Center; Iglenir J. Cavalli and Enilze M.S.F. Ribeiro, Dep artmento de Genética, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil.

Os autores declaram não haver conflito de interesse relevante a este estudo.

Esta pesquisa foi financiada pelo Georgetown University Center of Excellence in Regulatory Science and Innovation (CERSI; U01FD004319) e foi parcialmente financiada pelo NIH/NCI grant P30-CA051008.

Sugita BM, Pereira SR, et al. Integrated copy number and miRNA expression analysis in triple negative breast cancer of Latin American patients. Oncotarget. No. 58. Oct. 22, 2019. 

Sobre Georgetown Lombardi Comprehensive Cancer Center
Georgetown Lombardi Comprehensive Cancer Center é designado pelo Instituto Nacional do Câncer (National Cancer Institute (NCI)) como um centro compreensivo de câncer. Como parte do Centro Médico Universitário de Georgetown (Georgetown University Medical Center), Georgetown Lombardi é o único centro compreensivo de câncer na área de Washington D.C. Ele funciona como um centro de pesquisa para a MedStar Health, parceira clínica da Georgetown University. Georgetown Lombardi também possui um consórcio reconhecido pelo NCI com o John Theurer Cancer Center/Hackensack Meridian Health no condado de Bergen, New Jersey. O consórcio reflete uma iniciativa de pesquisa integrada em câncer com cientistas e pesquisadores médicos de ambos os centros. Georgetown Lombardi almeja a melhora no diagnóstico, tratamento e prevenção do câncer através de pesq uisas básica, translacional e clínica, cuidado com o paciente, educação da população e servindo as comunidades da região de Washington, enquanto o seu membro de consórcio John Theurer Cancer Center/Hackensack Meridian Health serve comunidades na região do norte de New Jersey. Georgetown Lombardi é membro do NCI Community Oncology Research Program (UG1CA239758). Georgetown Lombardi é financiado em parte pelo National Cancer Institute Cancer Center Support Grant (P30CA051008). Conecte-se com Georgetown Lombardi no Facebook (Facebook.com/GeorgetownLombardi) e Twitter (@LombardiCancer).

Sobre Georgetown University Medical Center
Georgetown University Medical Center (GUMC) é um centro acadêmico de saúde e ciência reconhecido internacionalmente com uma missão de quatro partes: pesquisa, ensino, serviço e cuidado ao paciente (através da MedStar Health). A missão da GUMC é desempenhada com forte ênfase no serviço ao público e com dedicação ao princípio Católico Jesuíta da cura personalis ou “cuidado da pessoa como um todo”. O Medical Center inclui a School of Medicine e a School of Nursing & Health Studies, ambos nacionalmente ranqueados; Georgetown Lombardi Comprehensive Cancer Center, designado como um centro compreensivo de câncer pelo National Cancer Institute; e a Biomedical Graduate Research Organization, responsável pela maior parte das pesquisas financiadas externamente na GUMC incluindo o prêmio Clinical and Translational Science Award do National Institutes of Health.  Conecte-se com o GUMC no Facebook (Facebook.com/GUMCUpdate) e Twitter (@gumedcenter).

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