Editorial. Ed. 217

Nesta edição, IDEIAS trata de um constrangedor tema destes tempos de segunda ordem. De todas as mazelas que vivemos hoje, creio que uma das mais graves é a que veio como efeito colateral da maravilhosa invenção que é a internet. Mas como aconteceu com todos os grandes inventos da humanidade, a intenção foi ótima e alcançada. A internet mudou a vida de todos ao abrir a possibilidade de comunicação e conhecimento como nunca antes acontecera.

Mas há o lado obscuro criado pela maravilha que acreditamos jogaria luz sobre a ignorância e diminuiria o atraso. Além de todo o lixo cultural propagado através das redes, a internet é usada para ataques apócrifos em que o grau de degradação não tem limite. Nada mais fácil que criar um perfil falso, um e-mail, WhatsApp, um blog, para enviar fake news de todo o tipo.

A sordidez chega ao extremo quando se armam campanhas para destruir a imagem de inimigos ou desafetos. O mais grave é constatar que os criminosos que usam a internet como arma parecem estar sempre um passo adiante da capacidade da polícia para impedi-los, o que deixa todos à mercê do bandido. Sem ter a quem apelar a não ser, talvez, outro bandido para descobrir quem o ataca. Mas isto custa caro. Nenhum hacker trai a sua corporação por pouco dinheiro.

Esta nova forma de criminalidade serve ao jogo sujo da política e dos negócios. E se agrava num país em situação de extrema precariedade. O Brasil está doente. No físico e na alma. A doença é antiga, mas nunca foi tão grave, mesmo porque o enfermo se acreditava são.

Agora qualquer um percebe que o Brasil está muito mal. Se o diagnóstico ficou fácil, a receita é complexa e a possibilidade de cura bastante problemática. A crise, que além de econômica, social e política, é moral. Essa crise tem nos servido para mostrar alguns traços de sordidez no exercício do poder que pensávamos ter superado,

Que fazer? São os tempos. Quem não tiver estômago forte e ânimo para enfrentar a deterioração e lutar contra ela, é bom sair de cena, apagar-se para não virar alvo e se contentar com a paz da vida calma dos medíocres sem opinião. Nós optamos por não jogar a toalha. Vamos continuar nesta pequena trincheira que é a nossa revista IDEIAS. Fazendo o possível para informar além do que se dá ao leitor nas redes sociais e nas antigas centrais que perderam o monopólio, mas não perderam a empáfia e a parcialidade.

Deixe uma resposta