Menino Lechinski

Eu conheci o Jaime Lechinski jornalista. Aquele rapaz de fino trato e de texto leve, saboroso. Confesso que invejei muito de sua lavra. Com admiração, mas invejei. Pensava: eu queria ter escrito isso, com esse estilo direto, seco, sem desvios e salamaleques. Texto limpo e gracioso que brotava de sua Olivetti sem rasura, sem revisão. Perfeito.

Em boa época dividimos espaço na redação do várias vezes extinto Correio de Notícias. Um momento bom aquele dos finais de tarde quando encontrava com Lechinski e ouvia suas últimas histórias. Sempre com certo ar de menino, que nunca perdeu, nem mesmo quando se viu enfatiotado para cumprir funções de alto coturno no governo e no Tribunal de Contas. Saiu-se muito bem. Foi secretário de Estado, assessor especialíssimo, interlocutor e confidente de poderosos.

Depois do expediente, sem gravata e sem pose, Lechinski virava centro da roda de amigos eternos que queriam ouvi-lo. Nada de profundidades, que ele visita cotidianamente, mas não cabem em mesa de bar. Notável é a convivência, no mesmo homem, a ordem, o equilíbrio, a lucidez do pensamento, a organização racional como método, de um lado, de outro a verve do humor inteligente, da capacidade da imitação e de criar vozes. Esse é o nosso Lechinski.

Ele nos deve duas. Suas crônicas e outros escritos que mantém na gaveta e um dvd com uma seleção das melhores histórias que sabe contar, como ninguém, com sotaque perfeito, da gente de sua colônia. E vida longa para o Lechinski, que foi premiado com a companhia da Leila Pugnaloni, uma das pessoas mais doces que conheci. Assim teremos muito tempo pela frente para fazer a vida mais leve, ao menos mais suportável, nestes tempos obscuros. A foto é do Dico Kremer.

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