Pontal espera o Porto e dias melhores

“Pontal do Paraná vive uma situação de caos. A saída da Techint deixou todo mundo de pires na mão”, diz Gilberto Espinosa, empresário e presidente do Conselho da Comunidade em Pontal do Paraná, no litoral do estado.

A afirmação de Espinosa encontra eco nos números. A Techint, uma multinacional do setor de engenharia, produzia plataformas e outros equipamentos para a Petrobras em Pontal. Ela encerrou sua produção em dezembro do ano passado e desde então passou a dispensar os três mil funcionários que chegou a empregar de forma gradual.

“Os dados do Rais, do Ministério do Trabalho, mostram que o setor de fabricação de máquinas e equipamentos para a prospecção de Petróleo era o principal empregador na cidade. O encerramento desses postos abala a economia do município”, explica o economista João Ricardo Tonin, especialista em economia dos municípios e mestre pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Ao mesmo tempo em que lamenta pela saída da Techint, Pontal, com seus 27.284 habitantes, segundo a projeção do IBGE, espera por um alento. A alternativa existe e está próxima de sair do papel. É o 3P – Porto de Pontal do Paraná, que tem como objetivo ser o mais moderno terminal de contêineres do Brasil.

O Porto tem superado um a um as etapas burocráticas necessárias para que as obras tenham início. Segundo o diretor do 3P, Ricardo Salcedo, todos os requisitos ambientais foram cumpridos. No momento, a empresa trabalha para obter o licenciamento da Funai, já que existe uma comunidade indígena na região. “Todas as compensações e mitigações pela obra foram discutidas e aceitas. Agora estamos esperando a resposta da Funai. A burocracia é complicada mas estamos conseguindo superá-la”, explica Ricardo, que prevê o início das obras do Porto para o primeiro trimestre do ano que vem.

A expectativa de Ricardo também é a expectativa da população de Pontal. Uma pesquisa encomendada pela Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Pontal do Paraná (Aciapar), publicada no jornal Tribuna do Litoral, mostra que 86% dos moradores são favoráveis à construção do Porto.

A pesquisa mediu também a opinião dos pontalenses sobre a construção de uma nova estrada no município, condição necessária para a instalação do empreendimento. Neste caso, 88% são favoráveis à obra, que leva o nome de Faixa de Infraestrutura no projeto do governo.

“A rodovia é igualmente fundamental. Pontal hoje está estrangulada, dividida ao meio por uma rodovia que não atende mais o fluxo de carros. Hoje para ir de uma ponta a outra da cidade, você leva muito tempo”, afirma Espinosa. A obra da Faixa de Infraestrutura está em fase de licenciamento ambiental pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). O pedido foi feito pela Secretaria de Infraestrutura e Logística do Paraná (SEIL).

Benefícios

Instaladas, estrada e porto gerariam mil empregos diretos já inicialmente, chegando a 1,5 mil em um segundo momento. A geração de empregos indiretos poderia chegar a sete mil. “Para o município toda uma cadeia logística seria implementada, além dos efeitos óbvios da rodovia. Sem a estrada, o potencial turístico da cidade não terá como ser aproveitado. Será uma situação muito difícil”, diz Salcedo.

Nos cálculos do porto, a prefeitura de Pontal contaria com um acréscimo de caixa da ordem de R$ 5,5 bilhões. O estado também seria impactado. A previsão do Porto é de que nos próximos 28 anos serão R$ 22 bilhões em ICMS arrecadados pelo Estado, a partir das cargas movimentadas.

Os números do Porto são grandiosos. Com o início das operações previsto para o final de 2021 a começo de 2022 e investimento inicial de cerca de R$ 2 bilhões, o 3P deve aproveitar o potencial do calado de Pontal, com 16 metros de profundidade, para se diferenciar dos concorrentes.

A expectativa é de que a capacidade operacional portuária do Paraná seja aumentada em 120%, como 3P sendo responsável pela movimentação de 55% de toda a carga conteinerizada do Estado. O terminal terá pátio com 450 mil m², cais com mil metros de comprimento e berços de atracação para receber até três navios simultaneamente. Na fase final do empreendimento, o 3P terá capacidade para movimentar até 3 milhões de TEUs (unidade equivalente a 20 pés) por ano.

 

Contrários

Para Espinosa, apesar do apoio maciço da população e dos benefícios que traria à população, há um movimento organizado para tentar barrar os empreendimentos. “Acho que você encontra todo tipo de interesse econômico nessas ações. Não são pessoas que pensam no desenvolvimento da cidade e da população de Pontal.”

A despeito dessa parcela, Pontal e sua população esperam dias melhores.

 

Terminais de contêineres empregam 12 mil pessoas em todo Brasil

 

Dados da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (Abratec) indicam que os terminais de contêineres empregam hoje mais de 12 mil pessoas em todo Brasil. Um total de R$ 5 bilhões já foram pagos em outorgas ao poder público, que já arrecadou R$ 9,6 bilhões em impostos com o setor.  A previsão é de que nos próximos cinco anos o setor invista R$ 5,6 bilhões.

A movimentação de contêineres no Brasil tem apresentado um desempenho altamente positivo, três vezes maior, em média, que o PIB brasileiro, que cresceu 1,1% em 2018.

No ano passado, o setor portuário movimentou 10,041 milhões de TEUs (contêiner de 20 pés), equivalente a um crescimento de 7,22% em relação ao ano anterior, segundo dados da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).

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