Ir além: os 100 anos da Sociedade Teosófica no Brasil

Entre citações de grandes filósofos e mensagens carregadas de sensibilidade, a Sociedade Teosófica no Brasil está comemorando os seus 100 anos com uma semana repleta de atividades e palestras. Na compreensão de um divino para além de um personagem externo e uma figura masculinizada, a Teosofia (Teo: divino e Sofia: sabedoria) questiona e não concede respostas simples: “O que nós somos? Um tema profundo”; “não existe dualidade entre espírito e matéria”, “a paz no mundo continua mesmo quando não percebida”. Esses são apenas alguns dos desafios intelectuais e físicos do pensamento e da prática teosóficos.

Otavio E. Marchesini

Otavio Ernesto Marchesini, advogado, professor e vice-presidente nacional e coordenador da região sul da Sociedade Teosófica no Brasil, contou à Ideias a história da Sociedade Teosófica, sempre lembrando que em si, a Teosofia “é atemporal”. A Sociedade foi fundada em 17 de novembro de 1875, em Nova Iorque, pela russa Helena Petrovna Blavatsky (1830 – 1891) e o estadunidense Henry Steel Olcott (1832 – 1907), com o objetivo de formar um núcleo de fraternidade universal, na união do que Otavio colocou como “buscadores espirituais na livre e independente investigação acerca do que seja a Verdade”. Em sua prática e teoria, a teosofia é um estudo comparativo entre a filosofia, a religião e a ciência.

A pensadora Blavatsky, no decorrer de sua vida no século XIX, dedicou-se na expansão do pensamento teosófico, escrevendo e dialogando sobre o tema. Seus principais livros, utilizados como meios de compreensão e meditação pela Sociedade foram publicados no Brasil em 1973 em seis volumes: Volume I – Cosmogênese, Volume II – Simbolismo Arcaico Universal, Volume III – Antropogênese, Volume IV – O Simbolismo Arcaico das Religiões do Mundo e da Ciência, Volume V – Ciência, Religião e Filosofia, Volume VI – Objeto dos Mistérios e Prática da Filosofia Oculta.

Helena P. Blavatsky

Desde a fundação, a Sociedade alterou sua sede para a Índia. Se espalhou por outros países e no Brasil está organizada desde 1919. Nestes 100 anos completos por aqui, comemora com atividades por todo o país. Em Curitiba, nesta semana, entre 04 e 10 de novembro, na Loja Teosófica Paraná, está a ocorrer palestras, apresentações artísticas, contações de histórias. Além de contar com uma exposição da pesquisa sobre a arte como transcendência da artista plástica Laura Miranda a partir de artistas abstracionistas. Miranda cita que artistas como Piet Mondrian e Wassily Kandinsky ao buscarem um perspectiva do mundo para além do que era objetivo, destacavam a possibilidade do abstrato em alterar os pontos de vistas para além de um contexto histórico marcado pela materialidade das coisas e do ser. Assim, em conversa com o pensamento teosófico em sua concepção de espírito e de matéria como unidade.

Marchesini, em sua fala na abertura da semana comemorativa, a pensar o que seria a Teosofia, destacou diversas reflexões e questionamentos da prática nas experiências da Sociedade. Entre eles, a busca por um ponto de paz e como isso acarretaria numa ajuda constante à humanidade, “entrar em energia com um ponto de paz é perceber como isso se expressa e erradia na vida”. Ao citar Paulo Leminski, citou que mesmo sem pertencer à Sociedade, em sua poesia “Isso de ser exatamente o que se é ainda vai nos levar além”, o poeta curitibano estava a escrever sobre o que move a Teosofia, ir além e ser aquilo que se é: uma unidade em busca de si, um enigma e um encontro livre.

 

Programação da semana comemorativa da Sociedade Teosófica no Brasil

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