Em busca da felicidade

O que é felicidade? Como atingi-la? O que pensam os grandes filósofos sobre ela? Como é vista pela neurociência? Esses e outros aspectos foram discutidos no IV Congresso Internacional da Felicidade, realizado aqui em Curitiba, no mês passado.

Tive a oportunidade de participar de uma mesa redonda juntamente com os colegas médicos psiquiatras, Ana Beatriz de Souza e Jairo Bouer.

Foram 2.600 pessoas de todos os estados brasileiros, representando mais de 300 cidades.

O que faz tanta gente buscar em um congresso a resposta para essa questão crucial: o que é a felicidade e como atingi-la?

Se formos buscar referências na filosofia encontraremos, inicialmente, em Tales de Mileto (7 A.C.), na Grécia, as principais reflexões sobre a felicidade, sendo por ele assim definida: “É feliz que tem corpo são e forte, boa sorte e alma bem formada”. O grande problema aqui é a necessidade da sincronicidade entre esses atributos.

Por falar em gregos, a palavra felicidade para eles era ligada à “eudamonia”, “eu” bom e “damonia” demônio. Ser feliz, então, era estar acompanhado do “bom demônio”, ligado à boa sorte.

Com Sócrates, fica reforçada a questão transcendental da felicidade, já que para ele, o homem não era só corpo, havendo a necessidade de atingir-se também o bem da alma, através de uma conduta virtuosa e justa.

Platão, seu maior discípulo, reforça as palavras do mestre, considerando que todas as coisas têm uma função, a da alma seria exercer virtude e justiça para obter a felicidade.

Aristóteles, discípulo de Platão, critica o idealismo do mestre, e reconhece a felicidade nas coisas mais básicas como uma boa saúde, a liberdade e uma boa situação socioeconômica. Felicidade é um estilo de vida, segundo ele.

Já com relação às escolas filosóficas helenísticas, por caminhos diferentes, chegam à mesma conclusão, que para o homem ser feliz, não bastava apenas ser autossuficiente, mas tinha que desenvolver também, uma atitude de indiferença, de impassibilidade, em relação a tudo a seu redor, ou seja, a felicidade seria fruto da “apatia” que naquele tempo não tinha o sentido patológico de hoje. Epicuro deixa isso bem claro quando diz que a apatia não significa a abdicação ao prazer. Aliás, o prazer para ele, era essencial à felicidade. Vem dele a filosofia hedonista (em grego “hedone” quer dizer prazer), fundou a escola de felicidade.

Com a chegada da Idade Média e o fim do mundo helênico, deixa-se de valorizar a felicidade pelos filósofos cristãos.

Só com a Idade Moderna e o Iluminismo, a temática volta, sendo felicidade envolvida no pensamento político, passando a considerar a felicidade um “direito do homem”, consignado, inclusive, na constituição dos EUA, realizada em 1787.

Filósofos modernos como Nietzsche, trazem a felicidade como uma força mental, espírito de luta contra todos os obstáculos.

Ortega Y Basset mostra que o sincronismo do encontro entre a vida projetada e a vida real representa a felicidade.

Enfim, felicidade é o objeto de desejo do ser humano. É digna de um congresso internacional para ser debatida. Conclusões? Todas possíveis. Dependendo de suas crenças, social, política, religiosa e filosófica, enfim, existencial.

Concluo com a definição simples do poeta Carlos Drummond de Andrade: “Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade”.

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