Lula livre. E daí?

Decidida a parada da prisão pós segunda instância, ontem virtude e hoje anátema, nessa biruta de aeroporto que é o Judiciário, temos nas suas sequelas a mais importante, Lula livre, por seu peso político. Se o homem livre agir com as cautelas do presidiário, ainda que não calando, tudo bem. Mas se partir para a beligerância certamente só favorecerá a direita e ao seu guardião Bolsonaro. Hoje quem está arregimentado é essa parte do espectro, marcado pelo ultravioleta, pois o PT (Partido dos Trabalhadores) ficou o tempo todo na monocórdia tese da liberdade do ex presidente e à espera de sua inspiração e conselhos.

Mesmo livre, Lula responderá a todos os processos em que foi enquadrado, alguns ainda em estágio inicial, todos sem a aura punitiva que acompanhava os lances da Lava Jato. O clima mudou com a depreciação (por causa dos excessos em cima de ações combinadas do Ministério Público e Sergio Moro) e está bem mais fácil a defesa dele e até de figuras já condenadas como Sergio Cabral. O predomínio à direita está a exigir para o equilíbrio da contenda uma ação unívoca de esquerda, a qual sem o PT e principalmente Lula, inexiste.

Há necessidade de reflexão sobre o papel que o ex-presidente exercerá, na medida em que possa, por suas precipitações, fortalecer o adversário, revigorá-lo e perder de novo. A tese da inocência extrema, que Lula sempre adotou, não emplacará se os processos forem reativados, desde o do tríplex até o do sítio de Atibaia, este beneficiado por uma recente jurisprudência do STF, aquela que coloca o delatado com a última palavra sobre as acusações do delator.

É claro que nessa hora há arrojados e os prudentes demais e dessa dialética, que também povoa os pensamentos de Lula, é que surgirá o caminho e aí um orador lembrará o poeta espanhol, aquele que disse: caminhante não há caminho, o caminho se faz ao caminhar.

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