Os irmãos Lumière

Louis (1864-1948) e Auguste (1862-1954) Lumière, químicos, inventores e industriais franceses, são considerados os inventores do cinema, pois em 1895 promoveram em Paris a primeira exibição pública paga em 28 de dezembro. A um franco o ingresso, exibiram um programa iniciado com “Saída das fábricas Lumière” para uma plateia lotada de 35 espectadores e, com o sucesso, as exibições não paravam. Louis desenvolveu um aparelho que filmava, fazia cópias dos filmes e, munido de uma lanterna de arco voltaico, projetava-os em uma tela. Edison teve a ideia de usar filme perfurado num aparelho patenteado em 1893 como Kinetoscope, para também mostrar imagens em movimento por alguns segundos, todavia de forma individual, acreditando obter mais lucros do que numa sessão coletiva, que é a ideia do cinema, – uma plateia.

De 1896 em diante, com o sucesso das sessões do cinematógrafo Lumière, eles receberam inúmeras ofertas de compra, mas preferiram ficar com o controle do uso. Treinaram inúmeros operadores, que enviaram ao mundo todo para filmar e projetar o que ficou conhecido como “Lumière shots”. Mais de 1400 foram feitos e, através do cinema ofereceram o mundo ao mundo. Todavia os inventores viam apenas o caminho da documentação, como fotógrafos que eram. Mais tarde declaravam: “As aplicações do cinematógrafo orientando-se cada vez mais ao teatro, e dando ênfase à encenação forçam-nos a abandonar essa exploração, para a qual não estávamos preparados” A essa altura, já havia nascido com Méliès o espetáculo cinematográfico como conhecemos hoje. Antes de começar o século XX, os cientistas e inventores eram substituídos pelos artistas e comerciantes do ramo cinematográfico, fabricando equipamentos análogos, e ficaram famosos os processos movidos por Edison: 500 entre 1897 e 1907, tentando proteger suas patentes.

Thierry Frémaux, diretor do Festival de Cannes, reuniu 114 obras dentre os filmes dos irmãos Lumière e lançou um documentário em 2016 com imagens impecavelmente restauradas e seus comentários, música de Saint-Saens, que o torna deslumbrante e cheio de surpresas, pois são imagens do final do século dezenove, em cidades e campos que lembram pinturas dos expressionistas. Foi lançado em DVD no Brasil pela Imovision.

Em 1903, Louis desenvolveu a placa Autochrome, processo de fotografia colorida em vidro, que ele considerava a invenção mais importante da sua vida.

Apesar da fama dos irmãos estarem voltadas à invenção do cinematógrafo, eram antes de tudo, grandes industriais. Através da empresa, de 1882 até os anos 1960, eles sucessivamente fabricaram placas, papéis e produtos químicos fotográficos e acessórios. De 1930 em diante, uma variada gama de câmeras fotográficas com grande sucesso de público. Registraram mais de 200 patentes, em vários campos inclusive da medicina, como próteses, e tratamentos para queimados.

Uma curiosidade: os filmes e fotos que temos das expedições do Marechal Rondon foram encomendadas nas fábricas Lumière, que desenvolveram materiais especialmente para as luzes dos trópicos. Os filmes não puderam ser exibidos em Nova Iorque na época, pois os índios apareciam nus!

 

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