Editorial. Ed. 218

Não que devamos acreditar em bruxas, “pero que las hay las hay”. A direita que voltou ao poder depois do regime fardado está disposta a ficar entronizada por muito tempo. Sabe-se que os magos e analistas palacianos e do grupo familiar de Bolsonaro preocupam-se com o telhado de vidro do presidente e dos membros do clã. A popularidade de Jair Bolsonaro está em queda, o povo não engoliu o engodo da investigação contra seu filho, o que o impede de fazer uma crítica enfática à Corte cuja decisão colocou Lula nas ruas. Uma das figuras referenciais do novo regime, o juiz Sergio Moro, tem a imagem abalada pela troca de mensagens mantidas com os acusadores da Lava Jato obtidas pelo The Intercept, e publicadas por veículos parceiros.

A esperança de recuperação imediata da economia gorou. Guedes ainda não foi capaz de alavancar os números com sua política liberal, para que o povo possa sentir os efeitos: a taxa de desemprego caiu, mas ainda há 12,6 milhões de pessoas sem emprego no país; a extrema pobreza está em ascensão, com 13,5 milhões de miseráveis que sobrevivem com até 145 reais por mês. Chega? Tem mais, o ambiente não é favorável para ele. Mais de 70% temem o desemprego.

Mas façamos um esforço para evitar visão conspiratória. A hipótese de atos autoritários contra a democracia, só imagináveis se apoiados por militares, passa longe das Forças Armadas, que, a despeito de uma ou outra voz isolada, rechaçam a ideia e preferem ser respeitadas como esteio institucional.

O problema é que os milicos não são a linha mestra do governo. A batuta de Bolsonaro impõe retrocessos, com jornalistas xingados e desrespeitados cotidianamente por exercer o seu ofício, e ameaças à imprensa, que ele gostaria de ver à míngua.

Com um estilo de fazer inveja a Hugo Chávez – incensado pelo jovem Bolsonaro, o presidente falou em cassação da concessão da TV Globo, a qual chamou de “canalha”. No dia seguinte, mandou que o governo federal suspendesse as assinaturas da Folha de S. Paulo, ameaçando também os anunciantes privados do jornal. O que conseguiu foi quintuplicar o volume de assinantes do jornal que ele pretendia asfixiar.

Por isso mesmo e se catastrofismos paralisadores, é bom não descuidar. Ainda que isolados, os movimentos dos últimos tempos impõem estado de alerta sobre o inimigo imaginário cultivado pela conveniência de Bolsonaro e os seus. A história e as argumentações de boteco não são suficientes para garantir que a democracia está preservada no país.

 

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