Editorial. Ed. 220

O Brasil amarga índices indecentes em todas as áreas. Metade da população não tem rede de esgoto e só 38% do coletado recebe tratamento. Está entre os líderes de desigualdade, com números de arrepiar até o capeta: 1% concentra 28,3% da renda nacional, 52,5 milhões (25,3%) vivem na miséria e outros 13,5 milhões (6,5%) na extrema pobreza.

Sétima economia mundial é uma posição que deveria se reverter em pelo menos um mínimo de dignidade para quem vive no país. Qual o que. Na educação, responsável número principal pelo sucesso dos países com melhores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), melhor distribuição de renda (PINI) e pouquíssimos homicídios (OMS), a performance brasileira é um completo desastre. Não só pelas baixíssimas notas do Pisa, mas pela barafunda que Bolsonaro patrocina na pasta, com um ministro que, além de se preocupar mais em interpretar esquetes como o vexaminoso “cantando na chuva”, não domina nem mesmo o básico da língua pátria.

O senhor Weintraub teve o desplante de, em pleno rolo com o Enem, que espalhou injustiça e insegurança para milhões de jovens, indicar um criacionista convicto para a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O governo Bolsonaro é uma tragédia. Criacionista, terraplanista e adepto da abstinência sexual, transformada em política pública pela ministra pregadora Damares Silva. É com essa plataforma que é formado o jovem brasileiro que Bolsonaro prepara para o mundo, preferencialmente formado em escola militar.

Os absurdos são de tal ordem que o ministro astronauta Marcos Pontes foi escorraçado nas redes por postar uma imagem da NASA para “provar” que a Terra não é plana. Isso na segunda década do século 21, em que jovens sul-coreanos de 15 anos estão discutindo física quântica e inteligência artificial. Os daqui, condenados ao terraplanismo.

Restaria o combate à corrupção, em cima disso Bolsonaro se elegeu e prometeu acabar com todos os corruptos, como sempre fazem os populistas de todas as extrações. Pois, bem. O governo Bolsonaro tem sido o cão que late e não morde. Late muito. E só. O presidente cria estratagemas diários para proteger a prole. Puxadinhos como a mudança do antigo Coaf para o Banco Central, a suspensão de investigações e o meio ano de trapalhadas do presidente do STF, Dias Toffoli, para protelar entendimentos em benefício do filho 01.

O “herói”, anjo vingador, algoz de Lula, Sérgio Moro, ex-juiz da Lava-Jato que detonou todas as estruturas políticas estabelecidas no país, abrindo caminho para a ascensão do baixo clero encabeçado pela direita rude e ignara, virou ministro da Justiça e emudeceu. Até agora nada fez que contribua para reduzir a percepção de país corrupto captada pela Transparência Internacional.

Enquanto isso o presidente dedica seu tempo em colher likes nas redes sociais, em alucinações e conspirações, na guerrilha contra um comunismo que não tem mais sobreviventes. Em enxovalhar jornalistas e outros desafetos. Cria uma crise por dia para esconder a do dia anterior. É o inferno. Como chegamos a este ponto?

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