Longevidade, ou melhor, Imortalidade

Desde sempre, o homem trava sua batalha contra o envelhecimento e a morte. Os primeiros relatos remontam a II a.C., com o rei sumério Gilgamesh, da Mesopotâmia, com o uso de uma planta.

Aquilo que parecia mais um sonho de Ícaro, criou asas, e hoje a medicina voa em vultuosos investimentos para permitir que esses objetivos sejam alcançados.

Existem previsões concretas, com datas estabelecidas para que, em 2029, o homem pare de envelhecer e, em 2045, mesmo velho, volte a rejuvenescer, ou seja, ninguém mais morreria por envelhecimento. Essas são previsões dos autores do livro “A morte da morte”, recém lançado no Brasil, José Luis Cordeiro, venezuelano, e David Wood, inglês. O primeiro, engenheiro, e o segundo matemático.

O próprio autor de “Sapiens: uma breve historia da humanidade”, o israelense Yuval Noah Harari, corrobora com essa idéia dizendo que hoje a “morte já é opcional”.

Parece loucura? A princípio, sim. Mas devemos nos lembrar que depois de Gilgamesh, quantas conquistas o homem já teve? Por que empresas do Vale do Silício destinaram parte de seus lucros, cerca de 600 bilhões de reais para o mercado da longevidade, isso só no ano passado?

Todos os autores já citados rezam na cartilha de Raymond Kurzwell, diretor de engenharia do Google. Ele é pioneiro nos campos de reconhecimento ótico de caracteres, síntese de voz, reconhecimento de fala e teclados eletrônicos. Autor de vários livros, entre os quais: “A Medicina da Imortalidade” e “Como criar uma mente”, além de outros. Para maluco ele não serve, nem os que o seguem.

Muitas questões derivam dessas novas possibilidades em todos os campos: político, jurídico e religioso. Valores deverão ser revistos e conceitos revisitados. O que serão 20 anos de cadeia para alguém que não morrerá? E o conceito de prisão perpétua? Como ficarão os casamentos e sua ideia de que até que a morte nos separe? Quando os seguidores do catolicismo, judaísmo e islamismo terão seu juízo final? E as necessidades das reencarnações para os espíritas?

Quando se lida com genética, biologia celular e neurociência, enfim áreas em que se produz mudanças profundas na vida do ser humano, existem conceitos éticos a se observar, sob risco de vermos a civilização atingir o seu ápice tecnológico e sua derrocada no aspecto social.

Longe de mim, inclusive como médico, não querer ver os avanços da medicina, mas tudo neste mundo baseia-se em custo-benefício. Alguém, por acaso, já teve o pesadelo de imaginar José Sarney, senador por 100, 200, 300 anos? Ou ouvir Lula Livre pela eternidade?

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