A salvação a preço de banana

De origem controversa, banana pode ter vindo do Árabe banana, dedo, pela semelhança do cacho: cada banana seria um dedo. Mas há outras hipóteses, entre as quais étimos vindos do Caribe, da África ou alteração do Grego plátanos, pelo Latim platanus, árvore de grandes folhas.

“Em se plantando, tudo dá” não vale para plantar bananeiras, em vez de cultivá-las, a brincadeira que consiste em firmar as mãos no chão e elevar o corpo, de modo a que os pés semelhem a bananeira.

O Aurélio dá dezenas de verbetes iniciados com banana, entre as quais alguns muito curiosos, como a banana-anã, a banana-anã-grande, a banana-caturra, a banana-d’água, a banana-nanica, a banana-maçã, a banana-mãe, a banana-prata e a banana-preta.

A banana-petiça, que tem esse nome por ser baixinha, é a mais cultivada em todo o mundo, por ser tão profícua quanto as de maior porte, porém mais resistente aos climas frios.

Sendo uma angiosperma, a banana pode ser uma caixinha de surpresas, uma vez que angiosperma quer dizer recipiente com semente dentro. E sementes podem surpreender. Sem contar, que embananar é confundir, dar uma banana é insulto obsceno e de onde não vem mais nada é bananeira que dá deu cacho.

A banana esteve presente na condenação do primeiro herege brasileiro. Ele se chamava Pedro de Rates Henequim e veio para cá importado de Lisboa, onde nasceu em Lisboa em 1680. Era filho ilegítimo de um cônsul holandês com uma moça portuguesa muito pobre.

Viveu vários anos no Brasil e voltou para Portugal em 1722, tendo sido executado em auto-de-fé, em sua cidade natal, em 1744.

Mas o que fez Pedro de Rates Henequim para ser queimado vivo em praça pública? Escreveu suas pouco famosas 101 teses, nas quais defendia ideias no mínimo curiosas e algumas delas muito divertidas.

Henequim levou a sério as ideias daqueles que consideravam ser a América e especialmente o Brasil o mais aprazível dos lugares. Segundo a propaganda dos primeiros séculos, aqui não corria leite e mel porque os portugueses não tinham ainda trazido a vaca, mas o mel era conhecido dos índios, que o extraíam de favos na floresta.

Para Henequim, Deus tinha criado o Éden no Brasil. Quando os primeiros navegadores chegaram, ainda puderam ver os últimos rastros de Adão na praia, quando de sua expulsão pelas hostes do arcanjo Miguel e sua espada de fogo.

Convicto dessa certeza, passou a elaborar suas teses e desdobrá-las em complexas afirmações. O fruto proibido tinha sido a banana. Deus criara o mundo em língua portuguesa, o idioma oficial do céu.

Assim, não dissera ‘”fiat lux”’, que depois seria simples marca de fósforo, mas o elegante “’faça-se a luz’”. Bem antes de Freud, intuiu que o pecado original, sempre ligado à nudez e ao sexo, tinha outros símbolos fálicos além da serpente. Nem figos nem maçãs, como quiseram os renascentistas. Havia uma banana na História da Salvação.

Em resumo, para cometer o primeiro pecado, Eva não descascou o abacaxi, mas a banana.

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