Eu, Ernani Buchmann

Atividade profissional: Depende do período. De manhã sou coordenador de jornalismo do Sistema Fecomércio PR; à tarde, coordenador de comunicação da OAB. Em ambas as atividades minha função é supervisionar tarefas, distribuir pautas e escrever: matérias, crônicas, discursos, apresentações, roteiros. Vivo de escrever há 50 anos.

 

Atividades outras: Presidente da Academia Paranaense de Letras, presidente do Observatório da Cultura Paranaense e presidente do Conselho de Administração do Centro de Excelência em Xadrez.

 

Principais motivações: Trabalho para viver. Primeiro porque sou remunerado, o que permite que compre os livros e o whisky que me mantêm em atividade, pague as despesas e parte das dívidas, que não param de crescer. Segundo porque sou hiperativo: se ficasse sem ter o que fazer já seria um simples obituário.

 

Qualidades paradoxais: Não sei se tenho qualidades, mas com certeza sou um paradoxo. Canhoto, com pouca coordenação motora, desastrado 24 horas por dia, já escapei de quatro acidentes muito graves, dois deles ao volante. É paradoxal que esteja vivo, sem dúvida.

 

Pontos vulneráveis: Além da conta bancária, a coluna. Duas hérnias de disco me obrigam a fazer umas 500 flexões de alongamento por dia. É o que me permite eventualmente andar em linha reta.

 

Ódios inconfessos: Meus ódios são confessos. Tenho fobia social, o que é público. Vou a eventos por exigências dos cargos que ocupo, mas sempre que possível dou jeito de escapulir. Festas são uma tortura, sofro assim que recebo um convite. Casamentos, então…

 

Panaceias caseiras: Costumo tomar remédio assim que chego em casa, à noite. São aviados por mim mesmo. A receita é simples: pego um copo alto, coloco dentro bastante pedras de gelo e sobre elas derramo o líquido amarelo-ouro que guardo em uma ampola escocesa. Acrescento água com gás e bebo vagarosamente, sorvendo cada gole. É o melhor remédio, digo, verdadeira panaceia. Uma das três maiores invenções da humanidade, ao lado da mulher e do ar condicionado, não necessariamente em tal ordem.

 

Superstições invencíveis: Tenho apenas uma superstição. Salto da cama sempre com o pé esquerdo: por ser canhoto, preciso prestigiar meu lado favorito. Aliás, são duas: também só entro em avião pisando com o pé esquerdo. E em meus tempos de cartola de futebol só entrava em campo pisando com a canhota.

Tentações irresistíveis: Não posso citá-las, mas adianto não fazer ideia do que teria acontecido se a Claudia Cardinale tivesse viajado ao meu lado em um voo qualquer em 1970.

Medos absurdos: Entrar numa casa noturna, aquelas caixas negras, com luz violeta girando, gelo seco e som eletrônico. A última vez que entrei em um lugar assim minha pressão foi a 42 por 35 (bem, pode ter sido menos). Minha mulher me retirou do local, mas entrei em um processo catatônico do qual levei dois dias para sair.

Orgulho secreto: Gosto de alguns livros que escrevi, assunto nada secreto. Acho que orgulho mesmo é o fato de continuar trabalhando com aquilo que sei fazer. O resto é espuma.

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