Cinema em Antonina

O Theatro Municipal de Antonina foi construído na segunda metade do século XIX, durante a fase áurea da economia da cidade. Chegou a ser considerado um dos melhores do Estado. No início do século XX, a prefeitura adquiriu o espaço e nele apresentavam-se elementos da sociedade local, grupos amadores em espetáculos quase sempre beneficentes. Em 1962 o então prefeito realizou um contrato de arrendamento de 20 anos com uma empresa da capital para a instalação de um cinema, começando assim alterações no interior e na fachada onde se lia “Cine Ópera”. O contrato previa, entre outras cláusulas, a manutenção do prédio. A instalação da tela fez com que os espetáculos ficassem limitados a pequenos shows. Em 1975 o cinema passou às mãos do Jorge de Souza, do cine Morguenau de Curitiba, associado com Ismail Macedo da Orcopa, empresa exibidora também da capital. E trocaram para “Plaza” o nome da marquise. Nos cinemas interioranos a vida era difícil com filmes exibidos com atraso de anos e cópias surradas. Contratavam para seus pequenos palcos duplas caipiras, atrações circenses, famosas se possível, para engordar seus caixas. Nesta noite, o cine Plaza apresentava com bastante publicidade nas ruas da pacata Antonina Nhô Belarmino e Nhá Gabriela, Salvador Graciano e sua esposa Júlia Alves, respectivamente, a dupla mais famosa do Paraná e extrapolando o nosso estado com apresentações em outras cidades, rádios, palcos, circos e depois TV. A dupla iniciou em 1940, e em 1953 gravaram o primeiro de inúmeros discos pela RCA, gravadora de peso no mercado. Em 1959 veio a definitiva “As mocinhas da cidade”.  A grande maioria das canções eram da autoria do próprio Salvador, algumas com parceiros, compositor prolífico.

Casa lotada com o público fiel do casal, Jorge na sua estimada bilheteria contando sorridente os maços de dinheiro, dividindo sua atenção com as piadas e músicas da dupla. Apurou sua atenção ao ouvir do Belarmino: ”Este é o cinema mais destacado de todo o Paraná”. No ar, o vazio, que a coisa ia virar piada mesmo. Completou abraçando o violão: “Destacado, porque aí no piso falta a metade dos tacos. Mil gargalhadas e o sorriso amarelo do Jorge, pois o cinema precisava de urgentes melhorias, sempre adiadas e nunca realizadas. Já a dupla atacava com “As mocinhas da cidade”, que naquela altura ninguém ligava os “destaques” do velho cinema.

Em 1982 o teatro foi devolvido ao município, quase em ruínas. Foi restaurado e em 6 de novembro de 1984, reaberto ao público, com o ballet “O quebra nozes” pelo corpo de baile do Teatro Guaíra.

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