Cultura brasileira em luto

Semana passada foi difícil à cultura brasileira. Perdemos Moraes Moreira, Rubem Fonseca, Luiz Alfredo Garcia-Roza e Rubinho Barsotti.

E agora José, a festa acabou, a luz acabou.

O cantor e compositor Moraes Moreira morreu na madrugada de segunda-feira (13) aos 72 anos, em casa, no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro.

Aos 19 anos, ele foi para Salvador, onde começou a estudar no Seminário de Música da Universidade Federal da Bahia. Lá, conheceu seus futuros companheiros dos Novos Baianos, Luiz Galvão e Paulinho Boca de Cantor, além de Tom Zé.

Em 1972, eles lançaram o álbum “Acabou chorare”, que consagrou os Novos Baianos. O trabalho juntava samba, rock, bossa nova, frevo, choro e baião.

Com a regravação de “Brasil pandeiro”, de Assis Valente, além de “Preta pretinha”, “Mistério do planeta”, “A menina dança”, “Besta é tu” e a faixa título, todas de coautoria de Moraes Moreira, o álbum de 1972 é reconhecido como um dos melhores – senão o melhor – trabalho do pop brasileiro.

Foi um passo adiante do tropicalismo de Caetano, Gil e Tom Zé – no abraço ao rock e à psicodelia hippie, na fusão de ritmos brasileiros, na recusa a seguir padrões no período mais duro da ditadura militar.

Na música também choramos por Rubinho Barsotti, fundador e baterista do Zimbo Trio. O músico morreu na madrugada do dia 15, aos 87 anos, em São Paulo, em decorrência de complicações de uma cirurgia no fêmur que realizou há duas semanas.

Considerado um dos maiores bateristas do Brasil, Rubinho se juntou ao pianista Amilton Godói e ao baixista Luís Chaves – que faleceu em 2007- para formar o Zimbo Trio em 1964. Eles fizeram parte do programa “O Fino da Bossa”, da TV Record, apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues, em 1965. Ao longo da carreira, o trio criou novas concepções rítmicas e harmônicas, marcando a música brasileira. Eles também se apresentaram ao lado de grandes nomes do jazz como Kenny Dorham, Oscar Peterson, Tommy Flanagan e Joe Pass.

Na literatura

As delegacias deveriam estar em luto. Rubem Fonseca e Garcia-Roza, comandavam o romance policial brasileiro.

Rubem Fonseca morreu no mesmo dia 15, aos 94 anos. O escritor de origem mineira sofreu um infarto no horário do almoço e foi levado às pressas para o Hospital Samaritano, em Botafogo (Rio de Janeiro), onde morreu.

Rubem Fonseca venceu, em 2003, o Prêmio Camões, o mais prestigiado da literatura em língua portuguesa. Publicou romances clássicos como “O Caso Morel” (1973), “Bufo & Spallanzani” (1986) e “Agosto” (1990), e coletâneas de contos e crônicas como “Feliz Ano Novo” (1975), “O Cobrador” (1979) e “Pequenas Criaturas” (2002), parágrafo pequeno para o tamanho de sua obra.

E um dia depois, Luiz Alfredo Garcia-Roza morreu aos 84 anos após um ano internado. Garcia-Roza nasceu em 1936, no Rio de Janeiro. Formado em filosofia e psicologia, foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e publicou oito livros sobre psicanálise e filosofia. A principal especialidade do professor era o psicanalista austríaco Sigmund Freud (1856-1939).

Além da vida acadêmica, dedicou-se também à ficção policial, quando já tinha passado dos 60 anos. O autor era o “pai” do detetive Espinosa, personagem central das histórias dele.

Os livros “Achados e Perdidos” e “Vento Sudoeste”, por exemplo, tinham o delegado como protagonista. Após 30 anos como professor e pesquisador no campo da psicanálise, o autor tinha cacife para explorar a mente de criminosos e policiais.

O escritor ganhou os prêmios Nestlé de Literatura (1996) e Jabuti (1997) com “O silêncio da chuva”, primeiro livro de ficção dele. Com informações das redações.

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