A política, segundo Tim Maia

Uma boa parcela dos nativos que votaram em Jair Bolsonaro está atônita. Depois de defenestrar Sérgio Moro e com ele a promessa de combate à corrupção, Bolsonaro confirma o naufrágio impávido de seu governo ao buscar acordos com a velha turma do centrão. Ou seja, adotou o infame sistema do toma lá, da cá e faz exatamente o que condenava no discurso de palanque eleitoral. Mais uma frustração para a maioria que marchou com Bolsonaro porque ele representa o perfil conservador e ultra-reacionário hegemônico na sociedade.

Sempre que perguntada, a maioria da população brasileira tem se manifestado contra a liberação do aborto, da maconha e do casamento gay, e a favor da pena de morte e da maioridade penal aos 16 anos. São posições conservadoras e, no entanto, são esses que elegem os governos e as maiorias parlamentares hoje no Brasil.

Talvez Tim Maia tivesse razão quando dizia que, “no Brasil, não só as putas gozam, os cafetões são ciumentos e os traficantes são viciados, os pobres são de direita”. Vejam bem, a maioria dos velhos pobres como dos novos, da antiga classe média careta e da nova mais careta ainda, e, claro, as “elites”, acreditam em Deus, na família e nos valores tradicionais, e rejeitam ideias progressistas. Discutir, apenas discutir as suas crenças, é considerado suicídio eleitoral.

A nossa “nova classe média”, que tem casa, carro, crédito, viaja de avião, e é eleitoralmente decisiva, parece ser ainda mais conservadora do que a “velha”. A ascensão social exige segurança e instituições sólidas, quer conservar o que conquistou e reage a mudanças que ameacem suas conquistas. Como Tim Maia, querem sossego.

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