Escritas de terra – Thérèse Vian-Mantovani

O que encontramos nas coisas mais semelhantes é a diversidade, a variedade.” – Michel de  Montaigne – “Da Experiência” nos “Ensaios”

 

Planeta Terra. Água, oxigênio, carbono, metais leves e pesados, rochas, areia, plantas, flores, frutas, animais, micróbios, bactérias, vírus, átomos, íons, elétrons, bóson de Higgs, humanos, terra. Mãe Terra. Terra. A Terra azul no dizer do cosmonauta Yuri Gagarin. Terra onde há deslocamentos, viagens, amor, calor, frio, ódio, gentileza, solidariedade, egoísmo, bondade, maldade, ignorância, desprezo, desprendimento, escuridão, luz, inteligência.

Thérèse (1953-2017) foi fotógrafa, historiadora de arte, curadora de exposições e editora de livros de arte. Conheci este seu trabalho escritas de terra” – hino à terra num álbum com ampliações fotográficas no formato 15x15cm que a artista deu de presente para o amigo e professor de história das artes Fernando Bini. Compõe-se de 5 lâminas com 2 fotos em cada e de 1 lâmina com dois poemas de Jacques Lacarrière. Do texto que o Bini escreveu “La terre, matrice et mémoire du monde” (A terra, matriz e memória do mundo) tirei as informações sobre este notável trabalho.

Quando esteve no Brasil na década de 1980 conheceu o trabalho do artista polonês radicado em Nova Viçosa, Bahia, Frans Krajcberg (Kozienice 1921 – Rio de Janeiro 2017). As esculturas em madeira e em terra muito a impressionou. Em Itabirito, Minas Gerais, conheceu as terras cheias de cores. Foi o princípio de seu trabalho. É um registro/estudo de cores, texturas, formas, linhas. Da imensa riqueza da natureza da terra do planeta Terra. A terra é chão. É viva. De onde brotam as coisas vivas. É onde se caminha. Onde se constrói . Onde se destrói. E está presente o fator humano. Para o bem e para o mal. O professor Bini nota: “Hoje o Espaço Frans Krajcberg presta homenagem à Thérèse Vian-Montovani e à sua excepcional obra fotográfica. Sua percepção estética e artística da natureza é menos uma visão de terra ou de areia, mas aquela das transformações resultantes a ação humana.”

Quando da exposição de suas fotos em Paris, junto a cada uma delas, Thérèse colocou em vidros terra a que a fotografia remetia para que os visitantes pudessem pegá-la com suas mãos. E há, também, um vínculo da fotógrafa com nossa cidade. Durante o Carnaval de 1998 expôs no Museu da Imagem e do Som uma série de fotografias sobre o Carnaval no mundo.

 

Dico Kremer abril 2020

 

 

 

 

 

 

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