“Tubaína” não é rima. É jargão da ditadura para afogamento

Durante uma live, na terça-feira, 20, ao falar sobre a cloroquina para pacientes com Covid-19, Bolsonaro rindo disse, como se fosse o pum do palhaço: “O que é a democracia? Você não quer? Você não faz. Você não é obrigado a tomar cloroquina. Quem é de direita toma cloroquina. Quem é de esquerda toma? Tubaína”. A “piada” aconteceu no mesmo dia que o Brasil registrou, pela primeira vez, mais de mil mortes por coronavírus em 24 horas.

Os dois lados da piada não tem graça. Cloroquina, segundo estudo liderado pelo professor Mandeep Mehra, da Escola de Medicina de Harvard, e publicado nesta sexta-feira, 22, na revista Lancet, aumenta o risco de morte por arritmia cardíaca em até 45% nos infectados pela covid-19.

“Tubaína” não é uma referência ao refrigerante, e sim um jargão da ditadura militar para afogamento. Originária da Idade Média, a “tortura d´água” – apelidada por torturadores em São Paulo de “Tubaína” – consiste em colocar um funil na garganta da vítima e provocar a ingestão de grande quantidade de líquido.

“Esse jargão de chamar o afogamento de tubaína era comum entre os militares. Ouvimos isso várias vezes. O torturador falava: ‘quer tomar uma tubaína filho da p…’ e introduzia o funil na boca (dos torturados) por onde colocava água e até líquidos mais complicados, como o óleo de rícino”, conta Adriano Diogo, ex-presidente da Comissão da Verdade, que foi torturado durante o regime militar.

Exaltação à tortura

O presidente Jair Bolsonaro em diferentes ocasiões exaltou a ditadura, a tortura e torturadores, como Brilhante Ustra. Já como mandatário, em uma transmissão ao vivo em outubro de 2019, Bolsonaro ameaçou enviar funcionários do Ministério do Meio Ambiente para a “ponta de praia”, porque dificultar uma licença ambiental para a construção de uma loja Havan, do seu apoiador Luciano Hang. O termo “ponta de praia” era usado pelos militares para se referir à base da Marinha na Restinga de Marambaia (RJ), para onde eram encaminhados opositores do regime para morrer.

É crime

A Lei de Segurança Nacional (Lei 7.170/83), a Lei dos Crimes de Responsabilidade (Lei 1.079/50) e Código Penal (artigo 287) consideram crime apologia à ditadura militar.

 

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