Colunista
Andrea Greca Krueger

08.07.12
Sobre fads e victims

Começo o artigo deste mês replicando uma pergunta teimosa que não me deixa em paz. Quero dividir o aborrecimento com vocês, caros leitores da Ideias, que acredito terem plenos poderes para me ajudar a desvendar esse mistério. “Quien es más fashion victim: los adolescentes o los nuevos ricos?”. O autor da maldita indagação chama-se Raul Trujillo, brilhante pesquisador colombiano radicado na Argentina que trabalha para o instituto de pesquisa italiano Future Concept Lab.

Mês passado participei de um curso de Coolhunting e Investigação de Tendências na Universidad de Palermo, em Buenos Aires. E foi lá que essa pulga – aff, mais uma - foi implantada atrás da minha orelha. Quem é mais vítima da moda: os adolescentes ou os novos ricos? O professor Raul é especialista em moda, portanto podemos ampliar um pouco o significado de sua provocação para uma reflexão mais profunda. Primeiro, vamos tomar por “moda”, consumo. Os conceitos de moda e modismo muitas vezes se confundem.

De modo geral, moda pode ser considerado tudo o que diz respeito à indústria da indumentária: roupas, sapatos, bolsas, etc., em uma definição simplista para facilitar nosso entendimento. Já os modismos – também conhecidos como fads – são as famosas febres, ondas e manias que passam rapidamente e não impactam profundamente a sociedade. Lembram das pulseiras Power Balance? Dos Tamagotchis? E dos cabelos coloridos? Tudo isso são fads e eles não precisam ser, obrigatoriamente, objetos. O consumo é impulsionado por fads. Novas necessidades são constantemente “impostas” à sociedade para que a engrenagem da roda gigante do capitalismo não enferruje, deixando uns parados lá em cima e outros emperrados lá embaixo para todo sempre.

De volta ao professor Trujillo. Qual é a definição de “vítima”? De acordo com o advogado criminalista que tenho em casa, vítima é o sujeito que sofre as consequências de um mal. Mal? Ay, que fuerte. Pois bem. Quem são então os sujeitos que sofrem as consequências do mal que, neste caso, é o consumo? Mas peraí. O consumo é um mal?  Pausa.

A Rio+20 foi um relativo fiasco – exceto para a Dilma, o Patriota e aquele pessoal da ONU. Muito foi dito, outro tanto protestado e nada do que o povo queria foi efetivamente resolvido. E tampouco será em 2015. Ou em 2050. Ou em 3022. Coisa horrível de se dizer mas a tendência, meus amigos, é piorar – pelo menos se dependermos de redução do consumo. Há, no entanto, uma elite cuja consciência já foi despertada sobre os malefícios do hiperconsumismo. Na minha opinião, a propósito, o consumo em si é uma verdadeira bênção: viva o “débito ou crédito?”, viva as fronteiras abertas! O diabo, sorrateiro e conquistador, está disfarçado de hiperconsumismo.

A saber, o processo de consumo está dividido em três estágios: o primeiro é o ter, o segundo é o saber e o terceiro é o experimentar. Ou seja, o primeiro dinheirinho que uma pessoa ganha é para comprar coisas, depois de ter adquirido tudo o que ela queria (carro, TV de LCD, roupas de grife, etc.) ela vai estudar (inglês, informática...), e, por último, viajar e experimentar novas sensações (um cruzeiro, Buenos Aires ou um novo restaurante, por exemplo). Os que Raul chama, de forma nada pejorativa aliás, “novos ricos” estão, portanto, na base da pirâmide.

Depois de tudo isso, me perdoem, mas a pergunta segue sem resposta. Quem são esses mártires pós-modernos? Os adolescentes, com o afã de pertencer a grupos cuja unidade é definida por marcas, ou a enlouquecida massa emergente? Quem souber a resposta, por favor, me avise.

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