Colunista
Andrea Greca Krueger

28.08.12
Coolhunting!

Pesquisa de tendências não é (só) coolhunting!

Coolhunting. Um termo que está na moda e que tem a ver com moda. Coolhunter. Aquele seu amigo moderno que adora fotografar pessoas estilosas na rua e postá-las em seu blog de street style cujo nome, sempre composto e quase sempre non sense, é mais conhecido por uma sigla: IUGN, LOBST ou LMFAO. O conceito (impreciso) de coolhunting disseminou-se como um maldito fad (“modismo”) viral, aqueles dos quais ninguém consegue ouvir falar depois de atingir as vorazes massas consumidoras. Está em revistas, jornais e novelas; está nas tirinhas engraçadas dos jornais.

O coolhunting costuma ser confundido com algo mais amplo e profundo, como a parte que de maneira simplista e rasa representa o todo. A caça de coisas legais, em uma tradução literal, está incluída em nosso trabalho. Que sorte temos. Mas a busca em questão vai muito além das fotos de street style e dos blogs de moda.

Quando abrimos a Berlin em 2009, com o coração cheio coragem e a cabeça com dúvidas na mesma proporção, a ideia era que com nosso expertise poderíamos fomentar um aumento na qualidade e competitividade de marcas locais através do aporte de informações filtradas e estratégicas fruto de extensivas pesquisas e análise de tendências. O mercado em Curitiba era inexistente até então, poucas pessoas conheciam os benefícios desse tipo de investigação qualitativa. Poucas é puro otimismo – quase ninguém sabia do que se tratava. Não raro iniciamos reuniões logo após o almoço e saímos direto para o happy hour. Pediam-nos cases, o que obviamente não tínhamos. “Que empresa de pesquisa com um mês de vida tem cases?”, nos indignávamos.

Para nós era inquestionável a relevância da pesquisa de tendências nesta sociedade fluida, hiperconsumista e ultraconectada em que vivemos. E foi essa mesma crença que nos levou a rir de diversas situações difíceis - algumas inclusive com requintes de crueldade como quando o alto executivo de uma multinacional disse que a proposta era ótima, mas que não nos contrataria pois éramos “ninguém”. Era rir ou chorar. Nós escolhemos rir. E ir em frente.

Chegamos ao mercado com uma proposta diferente, pois acreditamos que entrevistas em profundidade e grupos de discussão, apenas dois dos diversos tipos de pesquisa que a Berlin realiza, podem resultar em dados mais genuínos quando os participantes estão em ambientes onde sintam-se relaxados e à vontade para expressar suas opiniões. No início deste ano convidamos um grupo de jovens entre 15 e 26 anos para um piquenique no complexo do Museu Oscar Niemeyer, que provou uma gama de snacks fabricados por nosso cliente, uma marca de alimentos de conveniência prestes a se instalar em Curitiba. O resultado foi essencial para a empresa reformular embalagens, posicionamento, nome e sabores.

Muitas vezes o empresário acredita que conhece seu setor como ninguém, que graças a seus XX anos no mercado sabe exatamente quem é seu consumidor e o que ele deseja. Ele esquece, no entanto, que o mundo, o Brasil e Curitiba mudaram. É urgente que qualquer marca com ambição conheça e aprofunde-se, não apenas nos gostos e signos locais, mas que entenda a impressionante dinâmica mutável da economia e da sociedade de hoje. Vivemos em um mundo globalizado onde as pessoas estão constantemente influenciando umas às outras. Não há mais barreiras para a informação. Em Londrina ou Xangai, o ser humano é estimulado 24 horas por dia, sete dias por semana.

Dois anos, seis turmas lotadas do curso de Coolhunting e Pesquisa de Tendências em Curitiba, Belo Horizonte e Florianópolis, 30 palestras em diversas capitais brasileiras e todas as universidades de Curitiba, uma carteira respeitável de clientes (cases!) depois, a Berlin está feliz por continuar enfrentando os desafios, plantar e colher frutos de um trabalho pelo qual somos apaixonadas. O mercado mostra que estávamos certas: a pesquisa de tendências é o caminho mais curto entre uma empresa e a inovação responsável.

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