Colunista
Andrea Greca Krueger

17.12.12
Zeitgeist

A cada início de ano, a coisa se repete: revistas, sites e jornais de toda ordem se aventuram na previsão de acontecimentos para o período que se inicia. Astrólogos e economistas, cada qual devidamente munido com as ferramentas que lhes cabem, são os campeões da modalidade. E quem resiste?

Os motivos pelos quais nós humanos acalentamos essa entre muitas outras esquisitices permanece um mistério. Seria ansiedade? Esperança? Ou simplesmente o fato de querermos encontrar semelhantes com superpoderes? Não sei. O que eu sei, no entanto, é que junto com voar, ficar invisível e ler pensamentos, saber o futuro é um dos sonhos mais megalomaníacos do bicho homem.

Já que esse é meu métiere a revista Ideias não poderia ficar fora dessa, apresento a vocês algumas tendências interessantes apontadas pelo ótimo instituto Global Trends para a economia em 2013. E por que é importante saber essas coisas? Simples (e triste): money makes the world go round. Preparados? Então, vamos lá.

Segundo relatório do Global Trends, tão bom que até a The Economist republicou, a grande redistribuição de poder econômico e social deve continuar nos próximos 12 meses. O poder distancia-se cada vez mais de instituições tradicionais resistentes ao progresso – especialmente governos e bancos – e se aproxima de indivíduos e comunidades cujos líderes entendem e agem segundo as grandes tendências que estão moldando os novos tempos. “Empresas continuarão a falir devido a uma leitura equivocada do futuro”, sentencia o autor do estudo, o suíço Thomas Malnight, que é professor da IMD, umas das escolas de negócios mais importantes do mundo. Ele cita o exemplo da Kodak, que inventou a câmera digital mas preferiu continuar investindo nos filmes analógicos. O resultado todos sabem: a empresa centenária que revolucionou a fotografia decretou falência em janeiro de 2012. “Um acontecimento catastrófico que poderia ter sido evitado”, palpita. Não posso estar mais de acordo.

De volta ao futuro, Malnight destaca algumas tendências que os empresários devem ter em mente ao traçar estratégias ao longo deste ano. O zeitgeist de 2013 tem a ver com entender a força do mundo digital e seu impacto na vida das novas gerações (mobilidade e conectividade são palavras de ordem), a supremacia do “ser” sobre o “ter”, a noção de que os jovens de hoje preferem colecionar experiências a produtos e que praticamente tudo o que existe pode ser distribuído. Para que caibam no século 21, valores também estão mudando. Hoje, os consumidores têm escolha, eles desejam personalização e adotam marcas que os convidam a criar juntos ou, no termo da moda, a “co-criar”. As impressoras 3D e a possibilidade de manufatura em pequena escala serão responsáveis, diz o estudo, pela próxima revolução industrial. Devido à robotização da mão de obra, milhões de pessoas perderão seus empregos - porém outros milhares serão criados. O desafio será formar profissionais capacitados para ocupar esses postos inovadores.

Em 2050 seremos 9 bilhões, dos quais 75% viverão em centros urbanos e consumirão o dobro de recursos que o planeta pode oferecer. Parece armagedônico, não é? Por isso, repensar o consumo (gosto desta ideia) é e será essencial. Malnight prevê que em 2030 o poder estará totalmente na mão das corporações e não dos governos. A nova ordem mundial dominada por empresas terá que dançar miudinho para agradar consumidores, acionistas e funcionários cada vez mais cientes, éticos e bem informados, que se preocupam com o impacto e as motivações das empresas com quem se associam. Devemos esperar um câmbio de lucro para propósito? Se tudo acontecer como creem nossos colegas suíços, sim. O futuro nunca pareceu tão legal.










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