Colunista
Andrea Greca Krueger

06.03.13
A influência – parte 1

Pare e pense: existe alguém que exerça verdadeira influência sobre as decisões que você toma em sua vida?  Por mais difícil que seja dar o braço a torcer, e reconhecer, a resposta provavelmente é sim. Indo um pouco mais além, você acha que as redes sociais têm poder de convencê-lo a fazer ou comprar alguma coisa? O Facebook te instiga a gastar ou mudar hábitos? Você se considera influenciável? É bem capaz que desta vez a resposta seja não. “Imagina, eu, um(a) homem (mulher) maduro(a), com total domínio de minhas faculdades mentais, ter as vontades manipuladas por essa coisa que agora virou moda?! Impossível.” Se esse é, na totalidade ou em partes, o seu discurso, chegou a hora de analisá-lo em close e rever seu processo decisório. Mas não se preocupe, não é nada pessoal. A influência das redes sociais virtuais atinge todos nós, seres hiperconectados, em maior ou menor grau.

 

Redes sociais

Há algumas décadas cientistas sociais, biólogos e matemáticos começaram a estudar as propriedades estruturais e os modelos de crescimento das redes. É um assunto multidisciplinar por excelência: sociólogos analisam redes humanas e biólogos estudam agrupamentos de moléculas enquanto matemáticos e engenheiros direcionam o olhar a redes de computadores ou aeroportos, por exemplo. A ideia de rede social, nosso tópico dujour, começou a ser usada no início do século 20 para se referir aos conjuntos complexos de relações entre membros de um sistema social. Um assunto um tanto morno, é verdade, perto da pura nitroglicerina de outras teorias e descobertas científicas explosivas da mesma época. Com a massificação da internet no final do milênio, porém, o estudo das redes sociais foi retomado e alavancado ao status de “novo paradigma das ciências sociais”.  Nunca se falou tanto delas. As redes de pessoas, antes invisíveis aos olhos e presentes exclusivamente no plano imaginário, passaram a ser observáveis na tela do computador. Trocando em miúdos, hoje podemos de fato enxergar os amigos dos nossos amigos e pessoas que acabamos de conhecer. Eles estão ali, exibindo seus melhores sorrisos em quadrinhos no canto direito da tela. Mas o que isso tem a ver com influência? Tudo.

 

Influenciadores

Dia desses li um estudo no qual um cientista social sueco (cujo nome me foge no momento) afirma que um fumante tem três vezes mais chances de decidir parar de fumar ao ver um amigo comentando no Facebook que largou o vício. Se o ex-fumante for alguém bacana e admirável, a probabilidade aumenta 30%.  O mesmo funciona quando precisamos de um empurrãozinho para começar uma dieta ou a operação verão, que muitas moças fazem questão de alardear em capslock, só para ter certeza que ninguém vai ignorar suas conquistas posteriores. Acontece que da mesma forma que a influência dos outros sobre nós e nossa sobre os outros pode ajudar em determinados aspectos, ela também traz à tona o lado mais nefasto que adormece em nós. Um estudo recente da Universidade de Pittsburgh com 541 voluntários revelou que o Facebook deixa-nos mais gordos, pobres e malvados. Pois é. Aqueles que passam mais tempo online apresentaram maior tendência a comer besteira, ter mais gordura no corpo e dívidas no cartão de crédito, como publicou o Wall Street Journal. Além disso, esses mesmos internautas desistiram mais rapidamente na hora de resolver problemas de matemática. Sem mencionar os cinquenta tons de ressentimento ao ver fotos da festa que o amigo deu na noite anterior e não os convidou.

A influência das redes sociais em nossas vidas está aí para quem quiser ver – mas só para quem quiser ver. Senso crítico e consciência nunca foram tão importantes. É preciso entender a “matrix” para que a “matrix” não nos engula. Decifra-me ou devoro-te, o que você prefere? Na próxima edição vou contar como o consumo e as empresas reagem na tentativa de se adaptar a essa nova realidade, na qual a publicidade como a conhecemos apresenta sérios e irreversíveis sinais de cansaço e os verdadeiros influenciadores estão escondidos entre mais de um bilhão de faces desconhecidas e anônimas.

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