Colunista
Andrea Greca Krueger

09.05.13
A influência – parte 2

Depois do hiato justificado (“não dê ouvidos a seus clientes” precisava ser publicado!), retomamos um tema que tem inquietado não apenas a Berlin, mas o mundo da publicidade e da pesquisa em geral. Este mês prometi comentar sobre uma das várias e agudas mudanças que o mercado publicitário vem enfrentando nos últimos anos. São muitas, é verdade, e talvez eu escreva sobre elas nas próximas edições da revista Ideias. Mas, por ora, vamos falar sobre eles, os superstars do mercado de consumo, as celebridades que não estão na novela mas sentam na primeira fila dos desfiles, os jovens que provavelmente você não conhece mas de quem seu filho é fã – com vocês, eles, os influenciadores do século 21.

Nos últimos tempos, três clientes chegaram à Berlin com a seguinte inquietação: os anúncios de sempre em TV, revistas e sites já não são suficientes, precisamos encontrar aquela pessoa que influencia os amigos, que tem um monte de seguidores no Instagram, no Facebook e no Twitter, para quem a galerinha olha na hora de decidir comprar alguma coisa ou ir a algum lugar. Mas como faz? Onde eles estão? Quem são eles?

Há não muito tempo, o trabalho dos publicitários era um pouco menos complexo: atendia, planejava, criava e entregava. Ajustava, entregava de novo, publicava e pronto. Os profissionais tinham funções muito bem definidas, assim como os processos nessa cadeia. Hoje, porém, com a supremacia do digital e todas as mudanças que as redes sociais e a tecnologia mobile causaram, tudo mudou. Além de encontrar esses meninos influentes, é preciso chegar a um modelo ideal de publicidade móvel, que supere as limitações, principalmente físicas, que temos para interagir com as telinhas dos celulares. (Dê um Google em “síndrome do dedo gordo” e verás que o problema também é rechonchudo.)

Voltemos então aos nossos protagonistas. As questões primordiais que temos que responder incluem: onde encontrá-los? Como conversar com eles? Como convencê-los a falar (bem) do meu produto? E muita atenção para esta última, que pode parecer banal mas é absolutamente crucial. Se eles não gostarem do que receberem, é bem capaz que todo o esforço para caçá-los se transforme em uma verdadeira catástrofe, já que os jovens entre 17 e 25 anos, normalmente a faixa etária onde estão inseridos nossos pop stars, não costumam ter papas na língua ou, neste caso, censura nas pontas dos dedos. Há, no entanto, os que cobram para falar bem, mas os“jabazeiros”, como são conhecidos, não têm tanta moral entre os inovadores e early adopters – o grupo que a maioria das empresas quer conquistar.

Diante disso, é importante manter a calma e criar a consciência de que esse cenário de mudanças é positivo, empolgante e faz parte de uma realidade que não tem retrocesso. As mudanças culturais são fascinantes e guardam milhares de boas surpresas e oportunidades prontas para serem exploradas. É preciso coragem para mudar com elas. Há profissionais especializados e metodologias de pesquisa adequadas não apenas para encontrar esses personagens, mas também para desvendar o universo de cada grupo. Não adianta protestar, pois o fato é que, sim, blogueiras cobram 500 reais por foto no Instagram e quem vai negociar com você é a blogger agent dela. Provavelmente a idade somada das duas seja igual (ou menor) que a sua. Como são admiráveis o novo mundo e os novos jovens.










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