Gastronomia
20.10.2014
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17.10.2014
14.06.12
Roteiro gastronômico para Barcelona
por Jussara Voss

Como esquecer Barcelona? Como não perder tempo em Barcelona? Como encontrar boa comida em Barcelona? Era o pensamento que não me abandonava quando sentei para escrever. Comecei a organizar na memória minha lista de desejos da cidade que transpira e inspira a boa gastronomia, ainda mais depois de os irmãos Adrià voltarem à cena catalã. Mas quais lugares eu gostaria de revisitar, quais lugares que valem a pena conhecer e quais os lugares que eu ainda não fui. Juntei sabores e lembranças da vibrante cidade, descobertos aos poucos, com tempo e ajuda de apaixonados pela cidade.

Barcelona

Como esquecer Barcelona? Como não perder tempo em Barcelona? Como encontrar boa comida em Barcelona? Era o pensamento que não me abandonava quando sentei para escrever. Comecei a organizar na memória minha lista de desejos da cidade que transpira e inspira a boa gastronomia, ainda mais depois de os irmãos Adrià voltarem à cena catalã. Mas quais lugares eu gostaria de revisitar, quais lugares que valem a pena conhecer e quais os lugares que eu ainda não fui. Juntei sabores e lembranças da vibrante cidade, descobertos aos poucos, com tempo e ajuda de apaixonados pela cidade. Eis aqui.


CIDADE VELHA: BORNE E BAIRRO GÓTICO É impossível não se perder entre as ruelas escuras da Ciutat Vella que abriga o El Borne e o Barri Gotic. Em todos os sentidos. Também é impossível não se render aos encantos do local. Hipnotiza o mais resistente visitante. Começo recomendando nas redondezas um hotel, do rol dos charmosos, bem localizado e de bom preço, que é Banys Orientals, um superachado, com o diferencial de abrigar um restaurante de cozinha tradicional da região: o Senyor Parellada, ali bacalhau é uma das escolhas acertadas. Achei o local andando pelas ruas estreitas do bairro que deve ser vasculhado, tem pérolas como El Xampanyet, Cal Pep e a loja especializada em produtos locais, a Vila Viniteca. O Cal Pep é considerado por entendidos uma das melhores casas para frutos do mar, acho páreo difícil para o Suquet de L’Amirall ou Sucett del Admiral. O movimento de separação da Catalunha ganha força e é comum ver nomes de ruas e estabelecimentos em catalão e espanhol, assim como acontece com o país Basco. Voltando ao Suquet, o restaurante do chef Quim Marquês em plena Barceloneta, ali ao lado do El Borne, dá para se sentir na praia e rei, pelo tamanho das vieiras, servidas grelhadas e recheadas com jamón, que eu comi. O chef entende do assunto, é um craque. Outra pérola da viagem. Fique de olho na sugestão do dia.


SURPRESAS O Tapaç 24, um dos muitos empreendimentos do famoso chef Carles Abellan, é a minha recomendação quando o desejo é por boas tapas. O “biquíni 24” , tapa com jamón e trufa, que parece uma panquequinha, e a sobremesa de chocolate com azeite de oliva e flor de sal são fatais. As batatas bravas também não podem ser esquecidas. Lembrete importante: se não quer agito e nem ficar horas na fila é preciso fugir dos horários de almoço e jantar, o lugar fica aberto das oito da
manhã até meia-noite e não aceita reservas. Esqueça as outras casas do chef, espalhadas pela cidade, pelo menos o Comerç 24, recomendada como “melhor cozinha de autor”, mas devo confessar que não conheci o Asador Bravo 24, no hotel W. Mas se existem dúvidas quanto à administração das casas de Abellan com o Alkimia – uma estrela Michelin – é diferente. O local faz jus ao nome e é um verdadeiro oásis de combinações inesquecíveis. É bem concorrido. Fique atento a esse detalhe, é preciso reservar com antecedência. Bom preço, casa pequena, serviço e comida impecáveis. Volto lá, sem dúvida. Deu para ver o talento e competência do casal Sonia Profitós, no salão, e Jordi Vilà, na cozinha. O chef agora é responsável também pela gastronomia da Fábrica Moritz, um espaço de cinco mil metros quadrados com restaurante, padaria, empório e cervejaria com assinatura do arquiteto Jean Nouvel, que remodelou o edifício do século 19.


PRIMEIRA CLASSE Quem toca o Moments é Raül Balam, filho de Carmen Ruscalleda, a única mulher seis estrelas da Espanha. O ideal é conhecer o restaurante dela que fica pertinho de Barcelona, o que está nos meus planos, mas sem sair da cidade você encontra boa comida ali no chiquérrimo Mandarin, instalado na zona nobre do Passeig de Gracia. Se o bolso não permitir, vale a visita ao hotel, nem que seja para um aperitivo no bar Dos Cielos, entre o mar e a montanha, no 24º andar do Hotel Me, é para
fazer qualquer um esquecer dos problemas, espere por horas de prazer. Os gêmeos Torres são geniais, sem dúvida. Além do visual de tirar o folego, a cozinha aberta para o salão é responsável por momentos inesquecíveis. Almoçar ali foi como participar de um banquete num castelo contemporâneo. A dupla não mede esforços para oferecer comida de qualidade. Entre no site e tenha uma ideia do que estou falando, também é uma opção para quem não quer menu degustação. Não se esqueça de pedir os queijos e fale com o sommelier.


CHOCOLATE Não saia da cidade sem experimentar os chocolates do premiado Oriol Balaguer e a torta de oito texturas. Não é vendida em pedaços e não serve no local, você terá de comprar uma inteira, mas tem em tamanho pequeno e vale a pena. Coloque na mala pelo menos uma caixinha de chocolates e não se arrependerá quando voltar para casa e degustar aqui um pouco das delícias provadas em Barcelona. Tem horário especial, eu já bati com o nariz na porta, consulte o site antes de ir. E se o assunto é chocolate, experimente também Enric Rovira e Cacao Sampaka, que tem uma cafeteria aberta das 9h às 20h.


TRADIÇÃO E VANGUARDA Quimet & Quimet. Bato ponto aí, sempre que puder. Os moradores locais recomendam: melhores queijos, como o Torta del Casar, com geleias, melhores tapas frias, melhor Vermut, melhor salmão defumado com mel trufado, atum, queijo e enlatados. Difícil é definir o Quimet & Quimet, meio bar, meio restaurante, meio loja, vi umas mesas no fundo, mas todo mundo estava na frente comendo em pé. A casa fica pertinho do Tickets e do 41 Grados dos badalados irmãos Adrià, com o qual eu tenho sonhado ultimamente. O pequeno restaurante serve 41 pratos para apenas 16 pessoas. As reservas são aceitas apenas pelo site e começa a ficar impossível conseguir um lugar. Logo se transformará no espaço cult, concorrendo com o fechado El Bulli. Quem nunca provou a comida dos geniais chefs Ferran e Albert precisa ir, quem já provou vai querer repetir a experiência, é claro.


Recomendo almoçar no Quimet, visitar as atrações do bairro e jantar no Tickets, se der. Para quem não tem restrições alimentares e quer conhecer a vanguarda gastronômica local, Los Palillos é outro lugar, o chef trabalhou com Adrià, com certeza te esperam experiências incríveis, ótima comida, fusão de tapas com comida asiática, além da ótima carta de saquê. Visite o site, veja o filme, saiba como funciona, e tenho certeza de que vai ficar com vontade de conhecer. É preciso reservar com antecedência. Mas se o apetite é por comidas tradicionais que os barceloneses comem, o endereço é o El Glop. Estando lá, peça para comer galtes, as bochechas de porco. Evite o restaurante das Ramblas, por favor, turístico demais. Botafumeiro é um dos mais clássicos da cidade. Frutos do mar com tradição. Produtos frescos e qualidade. E se você não vai arredar o pé da cidade, o que seria recomendado para conhecer um dos melhores restaurantes do mundo, o El Celler de Can
Roca, que fica ali pertinho, em Girona, e também aprecia boa arquitetura e gosta de badalação, pode se contentar com uma visita ao MOO, no estiloso hotel OMM, porque tem a consultoria dos irmãos Roca. Endereço obrigatório. A gaúcha, chef linda e talentosa, Helena Rizzo, foi a responsável pela cozinha lá, depois de um estágio no restaurante dos irmãos Roca e antes de abrir o seu, já famoso, Mani, em São Paulo.


SEM ESQUECER Almeja, tallarina, berberecho, vieira, zamburiñas, navajas, bercebes, cigalas, gambas, centolla, angula, bogavante. Infinidade de frutos do mar “a la plancha” (na chapa). Encerro com saudades da cidade e enumerando os lugares que ainda não consegui comprovar o que falam os amigos e a jornalista residente em Barcelona Adriana Setti: Mariona: melhor filé com foie gras e trufas; La Paradeta: melhor frutos do mar e barato; Kibuka: melhor japonês; La Xina: melhor chinês. Chicoa: especializado em bacalhau e para comer miúdos. No blog dela dê uma olhada no post “A rota dos tapas a pé”, para se sentir em San Sebastián, paraíso do roteiro de bar de tapas. E, finalmente, na próxima vez, não saio de Barcelona sem conhecer o despretensioso e escondido Somorrosto que os blogueiros gaúchos do Destemperados indicam. Já me vejo sentada perto do balcão para provar a “cozinha de mercado”, 37 euros por pessoa, com vinho, e, é claro, passar no La Boqueria, nem que seja para comer algumas frutas da estação e comprar um pouco de jamón, a primeira banca já na entrada, do lado direito, é a minha preferida pelo atendimento, oferta diversificada e qualidade. Boa viagem.


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