Franz Kafka ou Uma agonia sem êxtase

simoes

1 Como escrever um romance, um grande romance, capaz de resistir ao influxo corrosivo do tempo? Como concebê-lo, nas suas coordenadas estruturais, nos seus parâmetros definidores? Como arquitetá-lo, no tempo e no espaço, injetando-lhe sangue, impregnando-o de nervos, infundindo-lhe vida autêntica? Para isso – não é necessário que saias de casa. Fica à tua mesa e conta. Não contes, sequer […]

Continue lendo »

Revisitando a poesia de Tasso da Silveira, cem anos depois

simoes_abre

  Há precisamente cem anos – 1918 –, o grande poeta curitibano Tasso da Silveira (1895-1968) tinha oportunidade de publicar o seu primeiro livro, Fio d’água. Penso que a efeméride constitui um bom pretexto para uma revisitação breve da opera omnia poética do notável polígrafo paranaense. Poeta, crítico, ensaísta, professor, conferencista, historiador da literatura, teatrólogo, romancista. Tasso da Silveira foi […]

Continue lendo »

Um novo olhar (crítico) sobre a “Opus Majus” de Albert Camus

simoes (1)

1 O que representa, em última análise, “A peste”? O romance é plurissignificante, polissêmico. Não será possível captar nele um significado, uma interpretação, uma “leitura” unívoca. Começa por participar do simbólico e do imagético. É fábula, alegoria, parábola. Mais do que isso: metáfora transparente. Suma antiteológica (fragmento da suma que é a “opera omnia” camusiana), reflexão pascaliana (só em parte, […]

Continue lendo »

Uma obra-prima: “A Peste”, de Camus

simoes_0_abre

1 Releio, com um frêmito interior de emoção e deslumbramento, um livro cuja primeira leitura, inexplicavelmente, não me impressionou demais. Talvez porque o momento psicológico não fosse adequado. Ou porque o adolescente não estava preparado para o impacto das páginas fortes que lia com pressa. Não importa agora descobrir os motivos determinantes do fato. Basta apenas admitir que o fenômeno […]

Continue lendo »

Da amizade & dos amigos

simoes

Com base na leitura de livros, jornais e revistas, tive oportunidade de coligir, ao longo das últimas décadas, dezenas e dezenas de pensamentos, epigramas, aforismos, provérbios, máximas etc., gravitando em torno de um dos temas da minha especial predileção. Refiro-me à amizade e aos amigos. Esses fragmentos amistosos – ou amicais – são por vezes semelhantes, formal e conteudisticamente. Mas […]

Continue lendo »

Milagre na favela

simoes

Nos charcos do silêncio, há gritos soterrados. A favela, porém, é um clamor surdo. Um clamor feito de barracos encardidos e ruelas malcheirosas. Visto da elevação onde se encontram os cinco personagens desta narrativa, à luz fraca do crepúsculo, o casario irregular – tábuas e zinco e desalento – tem qualquer coisa de um cenário de teatro. Em primeiro plano, […]

Continue lendo »

Dialogar é preciso

simoes1

Começo por equacionar, de modo heterodoxo, um parêntese com uma afirmação singela, até certo ponto acaciana: o Brasil está vivendo, no território da contemporaneidade, uma crise sem precedentes. Uma crise que, à maneira da pretérita política geiseliana, é ampla, geral e irrestrita. Ela semelha, em termos metafóricos, um polvo gigante, cujos três tentáculos preponderantes são sem dúvida a Política, a […]

Continue lendo »

A Sombra Dourada

artigo_simoes_0_abre (1)

Um romance notável de Guido Viaro Verdadeiramente encantado – e talvez fosse mais adequado utilizar outro verbo, deslumbrado – concluo a prazerosa e enriquecedora leitura do mais recente romance de Guido Viaro. É o décimo terceiro, mais um marco miliário na estrada larga da criatividade do paranaense e, pela minha ótica privativa talvez precária e certamente discutível, o “primus inter […]

Continue lendo »
1 2