Flaubert, o mestre (esquecido) de Eça de Queiroz

1 Na sua obra singular – Correspondência de Fradique Mandes –, Eça de Queiroz, querendo caracterizar o estilo do diletante autor das Lapidárias, coloca na boca do biógrafo estas palavras: A forma de V. Exa. é um mármore divino com estremecimentos humanos. Palavras expressivas e sintomáticas, na medida em que denunciavam e traduziam uma visão muito especial – muito eciana, […]

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Saint-Exupéry e “Le Petit Prince”

Todas as grandes obras da literatura universal, aquelas em que mais indelevelmente ficaram gravadas as impressões digitais do gênio dos seus autores, situam-se, via de regra, em dois polos distintos: ou são extraordinariamente complexas ou profundamente simples. Como ilustração do primeiro caso, poderíamos citar, por exemplo, a obra de Kafka ou a de Shakespeare, a Divina Comédia de Dante ou […]

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Problemática da Cultura: Um ensaio crítico

Não é fácil definir o que vem a ser a cultura. Qual a sua natureza ontológica? Qual o seu perfil epistemológico? Qual a sua dimensão axiológica? Dependendo do interlocutor, do prisma ótico, da postura ideológica, cada uma dessas perguntas poderá ter as mais variadas respostas. Afinal, a cultura é, por excelência, um termo polissêmico: pela sua amplitude, pela sua abrangência, […]

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Franz Kafka ou Uma agonia sem êxtase

1 Como escrever um romance, um grande romance, capaz de resistir ao influxo corrosivo do tempo? Como concebê-lo, nas suas coordenadas estruturais, nos seus parâmetros definidores? Como arquitetá-lo, no tempo e no espaço, injetando-lhe sangue, impregnando-o de nervos, infundindo-lhe vida autêntica? Para isso – não é necessário que saias de casa. Fica à tua mesa e conta. Não contes, sequer […]

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Revisitando a poesia de Tasso da Silveira, cem anos depois

  Há precisamente cem anos – 1918 –, o grande poeta curitibano Tasso da Silveira (1895-1968) tinha oportunidade de publicar o seu primeiro livro, Fio d’água. Penso que a efeméride constitui um bom pretexto para uma revisitação breve da opera omnia poética do notável polígrafo paranaense. Poeta, crítico, ensaísta, professor, conferencista, historiador da literatura, teatrólogo, romancista. Tasso da Silveira foi […]

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Um novo olhar (crítico) sobre a “Opus Majus” de Albert Camus

1 O que representa, em última análise, “A peste”? O romance é plurissignificante, polissêmico. Não será possível captar nele um significado, uma interpretação, uma “leitura” unívoca. Começa por participar do simbólico e do imagético. É fábula, alegoria, parábola. Mais do que isso: metáfora transparente. Suma antiteológica (fragmento da suma que é a “opera omnia” camusiana), reflexão pascaliana (só em parte, […]

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Uma obra-prima: “A Peste”, de Camus

1 Releio, com um frêmito interior de emoção e deslumbramento, um livro cuja primeira leitura, inexplicavelmente, não me impressionou demais. Talvez porque o momento psicológico não fosse adequado. Ou porque o adolescente não estava preparado para o impacto das páginas fortes que lia com pressa. Não importa agora descobrir os motivos determinantes do fato. Basta apenas admitir que o fenômeno […]

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Da amizade & dos amigos

Com base na leitura de livros, jornais e revistas, tive oportunidade de coligir, ao longo das últimas décadas, dezenas e dezenas de pensamentos, epigramas, aforismos, provérbios, máximas etc., gravitando em torno de um dos temas da minha especial predileção. Refiro-me à amizade e aos amigos. Esses fragmentos amistosos – ou amicais – são por vezes semelhantes, formal e conteudisticamente. Mas […]

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