Poemas Grego

Pártenon Quem transformou o tempo em doce cântico de pedra? Bem: Calícrates, Ictinos, esses foram os deuses arquitetos. Suas colunas dóricas são quantas? São elas que sustentam na espádua mais que perfeita, a abóbada celeste. Cornijas, capitéis, plintos, volutas: se é bom sonhar é esse o sonho grego, sangue branco a fluir dentro do mármore. (Como suster o céu, sem […]

Continue lendo »

Ode ao ritmo, em versos predominantemente arrítmicos

1 Adeus rima. Good bye métrica Arrivederci, formas obsoletas – camisas de força, invólucros, pacotes, recipientes, vasos, embrulhos para nada.   2 Ritmo. É isso o que é preciso: ritmo. Definitivamente, irmão, tudo é apenas uma questão filosófica de ritmo. Temos assim o ritmo da valsa, do tango, do samba, da rumba, do foxtrote neurótico ou do jazz que vem […]

Continue lendo »

A perenidade da arte

1 Ofício lúdico, exercício mágico: arte. Liturgia de assombro do homem precário, contingente, lutando para furtar-se ao império autocrático de Tanatos: arte. Relâmpago, rubrica divina que alguns médiuns eleitos riscam no in-folio do mundo: arte. Weltanschauung onírica: Cristalografia em flor do indescritível: arte. Projeção de tudo aquilo que, no homem, é ânsia de futuridade, apetência de beleza, fome de transcendência, […]

Continue lendo »

Fernando Pessoa & o Prêmio Nobel

Não sei se o assunto já foi abordado por alguém, algures. Penso que não. Pelo menos, estou escrevendo com base nessa suposição apriorística. Começarei, de modo heterodoxo, antes de entrar in medias res, pela citação de um trecho da carta que Fernando Pessoa dirige ao amigo Adolfo Casais Monteiro (então com trinta anos de idade), poeta embrionário que haveria de […]

Continue lendo »

Flaubert, o mestre (esquecido) de Eça de Queiroz

1 Na sua obra singular – Correspondência de Fradique Mandes –, Eça de Queiroz, querendo caracterizar o estilo do diletante autor das Lapidárias, coloca na boca do biógrafo estas palavras: A forma de V. Exa. é um mármore divino com estremecimentos humanos. Palavras expressivas e sintomáticas, na medida em que denunciavam e traduziam uma visão muito especial – muito eciana, […]

Continue lendo »

Saint-Exupéry e “Le Petit Prince”

Todas as grandes obras da literatura universal, aquelas em que mais indelevelmente ficaram gravadas as impressões digitais do gênio dos seus autores, situam-se, via de regra, em dois polos distintos: ou são extraordinariamente complexas ou profundamente simples. Como ilustração do primeiro caso, poderíamos citar, por exemplo, a obra de Kafka ou a de Shakespeare, a Divina Comédia de Dante ou […]

Continue lendo »

Problemática da Cultura: Um ensaio crítico

Não é fácil definir o que vem a ser a cultura. Qual a sua natureza ontológica? Qual o seu perfil epistemológico? Qual a sua dimensão axiológica? Dependendo do interlocutor, do prisma ótico, da postura ideológica, cada uma dessas perguntas poderá ter as mais variadas respostas. Afinal, a cultura é, por excelência, um termo polissêmico: pela sua amplitude, pela sua abrangência, […]

Continue lendo »

Franz Kafka ou Uma agonia sem êxtase

1 Como escrever um romance, um grande romance, capaz de resistir ao influxo corrosivo do tempo? Como concebê-lo, nas suas coordenadas estruturais, nos seus parâmetros definidores? Como arquitetá-lo, no tempo e no espaço, injetando-lhe sangue, impregnando-o de nervos, infundindo-lhe vida autêntica? Para isso – não é necessário que saias de casa. Fica à tua mesa e conta. Não contes, sequer […]

Continue lendo »

Revisitando a poesia de Tasso da Silveira, cem anos depois

  Há precisamente cem anos – 1918 –, o grande poeta curitibano Tasso da Silveira (1895-1968) tinha oportunidade de publicar o seu primeiro livro, Fio d’água. Penso que a efeméride constitui um bom pretexto para uma revisitação breve da opera omnia poética do notável polígrafo paranaense. Poeta, crítico, ensaísta, professor, conferencista, historiador da literatura, teatrólogo, romancista. Tasso da Silveira foi […]

Continue lendo »

Um novo olhar (crítico) sobre a “Opus Majus” de Albert Camus

1 O que representa, em última análise, “A peste”? O romance é plurissignificante, polissêmico. Não será possível captar nele um significado, uma interpretação, uma “leitura” unívoca. Começa por participar do simbólico e do imagético. É fábula, alegoria, parábola. Mais do que isso: metáfora transparente. Suma antiteológica (fragmento da suma que é a “opera omnia” camusiana), reflexão pascaliana (só em parte, […]

Continue lendo »
1 2 3